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Justiça diz que há provas e torna Odebrecht e outros 12 réus na Lava Jato

28/07/2015 19:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Montagem/Estadão Conteúdo

O presidente da Odebrecht S.A., Marcelo Odebrecht, e outras 12 pessoas, denunciadas pelo Ministério Público na última sexta-feira (22), se tornaram réus. A Justiça Federal informou que a partir de agora investigará as acusações de crimes como organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro dos envolvidos na Operação Lava Jato.

De acordo com o G1, o juiz responsável pelo caso, Sérgio Moro, afirmou no despacho que as provas apresentadas pelo Ministério Público são suficientes para abertura do procedimento contra os acusados.

"Portanto, há, em cognição sumária, provas documentais significativas da materilidade dos crimes, não sendo possível afirmar que a denúncia sustenta-se apenas na declaração de criminosos colaboradores.”

Segundo a Folha de S.Paulo, o juiz considerou no despacho como prova essencial a documentação obtida na Suíça.

"Em especial, a documentação vinda da Suíça, com, em cognição sumária, a prova material do fluxo de contas controladas pela Odebrecht a dirigentes da Petrobras, é um elemento probatório muito significativo."

Denúncia

Na última sexta-feira, o Ministério Público denunciou 22 pessoas, incluindo o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, além de Marcelo Odebrecht. Na acusação, os procuradores alegaram que os envolvidos faziam parte de um cartel que combinava o resultado de licitações e pagava propina para terem contratos firmados com a Petrobras.

De acordo com o procurador Delton Dallagnol, o esquema de desvio de verba, lavagem de dinheiro e pagamento da propina ocorria de forma complexa e muitosofisticada. A maior parte se dava por meio de offshores, que, na explicação dele, “nada mais são de laranjas e testas de ferro”, controladas pelas empreiteiras.

Só no caso da Odebrecht, essas empresas no exterior chegaram a movimentar pagamentos na ordem de US$ 17,6 milhões para funcionários do alto escalão da Petrobras, segundo o MPF.

As provas foram obtidas pelos depoimentos de delação premiada e por documentos colhidos na operação. As empresas têm negado participação no esquema.

No documento encaminhado à Justiça Federal, o MPF pede ressarcimento de mais de R$ 7 bilhões, sendo R$ 6,7 bilhões da Odebrecht e R$ 486 milhões da Andrade Gutierrez.

Saiba quem se tornou réu:

Alberto Youssef, doleiro

Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht

Bernardo Shiller Freiburghaus, suspeito de intermediar, na Suíça, o pagamento de propinas da Odebrecht

César Ramos Rocha, executivo da Odebrecht

Celso Araripe D'Oliveira, ex-funcionário da Petrobras responsável pela obra da sede da Petrobras em Vitória

Eduardo de Oliveira Freitas Filho, dono de construtora suspeita de intermediar propina

Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht

Márcio Faria da Silva, executivo da Odebrecht

Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras

Paulo Sérgio Boghossian, executivo da Odebrecht

Pedro José Barusco Filho, ex-gerente da Petrobras

Renato de Souza Duque, ex-diretor da Petrobras

Rogério Santos de Araújo, executivo da Odebrecht