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20/07/2015 12:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Por dentro do mundo luxuoso das bruxas mais ricas da Romênia

Divulgação/Lucia Sekerková


Ano passado, a fotógrafa eslovaca Lucia Sekerková viajou para a Romênia para conhecer Maria Câmpina, a autoproclamada rainha das videntes. Localmente, videntes são conhecidas como "bruxas".

Geralmente de origem roma, essas bruxas seriam capazes de ler o futuro na palma da mão, em grãos de trigo ou nas estrelas.

Lucia fez amizade com Maria e passou um tempo documentando as bruxas, suas casas e seu negócio – uma prática passada de geração em geração desde os tempos antigos.

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Maria Câmpina, sentada em seu sofá dourado, é a rainha das videntes

A VICE entrevistou a fotógrafa sobre esse projeto:

VICE: Como você acabou documentando a vida das bruxas romenas?

Lucia Sekerková: Tenho um fascínio e um certo medo do oculto desde que era criança. Decidi vir para a Romênia através do programa de intercâmbio estudantil Erasmus porque achei que o país era muito misterioso e rico em folclore. Eu estava procurando informações sobre os vilarejos, as pessoas e as tradições do país na internet, quando achei um vídeo no YouTube dessas videntes. Soube de cara que precisava conhecê-las pessoalmente.

Então, pedi para a comunidade CouchSurfing me ajudar a encontrar o fotógrafo local Cosmin Iftode. Ele acabou sendo meu guia e tradutor, o que foi muito bom, porque poucas dessas bruxas falam inglês. Eu não teria conseguido sem ajuda dele. Ficamos amigos desde então.

Como você achou as bruxas?

Procurei os endereços e telefones delas pela internet e em jornais, mas foi muito difícil convencê-las a me deixar fotografá-las. Algumas pediram dinheiro, outras não. De qualquer forma, a maioria estava disposta a barganhar. Os preços variavam entre 20 (R$70) e 50 (R$175) euros por sessão.

Eu disse a elas que estava fazendo fotos para um jornal da Eslováquia. Elas provavelmente não concordariam se eu dissesse a verdade: que esse era meu trabalho de conclusão de curso. Além disso, dizer que eu trabalhava num jornal as assegurou de que eu podia pagar o preço que elas estavam pedindo.

Depois de dias de procura e negociação, finalmente encontrei Maria Câmpina – que se apresenta como rainha das bruxas – e fechei um negócio com ela. Para tirar a foto dela e de suas conhecidas, tive que prometer que o jornal em que eu trabalhava publicaria uma história completa sobre ela, além de lhe dar a primeira página. Assim não tive que pagar nada pela sessão de fotos. A foto de Maria acabou na primeira página do SME, um jornal semanal da Eslováquia.

Foi difícil interagir com essas mulheres?

A parte mais difícil foi convencê-las a serem honestas. Enquanto as entrevistava, eu tinha a sensação de que elas tendiam a exagerar suas histórias. Era óbvio que elas queriam dar uma boa impressão. Vidência é um negócio no final das contas. Eu não estava acostumada a lidar com pessoas assim, então as conversas podiam ser exaustivas.

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Você testou as habilidades delas de prever o futuro?

Sim. Parte do projeto era ver quão diferentes seriam as previsões. E foram bem diferentes – algumas negativas, outras positivas. Todas bem curtas e bastante gerais.

Por exemplo, uma das bruxas disse que eu iria me casar e ter três filhos dentro de um ano. Faz mais de um ano desde que ela previu isso e nada aconteceu. A parte mais estranha foi quando uma bruxa se aproximou de mim, puxou meu cabelo e disse que alguém próximo de mim ia morrer. Felizmente, isso não aconteceu também.

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