COMPORTAMENTO
19/07/2015 02:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

O que 13 mulheres pensam sobre a regra de pagar no primeiro encontro

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De todos os aspectos da arte de cortejar heterossexual, tentar descobrir como lidar com a conta no fim do primeiro encontro é um dos piores. Um paquera tradicional vai pensar que você está enviando vibes platônicas caso se ofereça para dividir a conta? Ou você é uma babaca se não “tocar” na carteira? O que essa decisão vai dizer sobre você — uma pessoa relativamente evoluída, progressista quando se trata de gênero — caso permita que um homem pague (ou se você não pagar) a conta?

Saber quem deve pagar no primeiro encontro pode ser uma empreitada surpreendente, e terá um preço.

De acordo com especialistas em etiqueta da consultoria Emily Post, “quem convidou está na fila para pagar a conta, a menos que tenha sido acertado de outra forma. Mas nem sempre é tão simples quando se leva em conta as várias — muitas vezes tendenciosas — as opiniões que os casais têm sobre o assunto. É quase impossível saber que tipo de mensagens você está mandando quando racha a conta, paga sozinha ou fica imóvel enquanto o cara passa o cartão (se é que você se importa com o que ele pensa).

Para se ter uma ideia mais clara sobre como mulheres heterossexuais se sentem em relação a pagar a conta no primeiro encontro, ouvimos nossas leitoras no Facebook. As respostas se encaixam basicamente em quatro categorias:

Aquelas que acham que os homens sempre devem pagar...

“Quando eu era mais nova, eu ‘pegava’ a conta sem nenhuma intenção de pagar, mas pelo menos fazia o gesto. Se ele aceitasse minha ‘oferta’, eu pagava, mas nunca haveria um segundo encontro, mesmo se o primeiro encontro tivesse sido muito bom. Agora que estou mais velha, eu nem sequer faço o gesto — melhor que ele saiba o que se espera dele logo no começo!”.

“Recentemente saí com um homem que insistiu em dividir, mas separou a conta e disse: ‘Vou pagar por uma de suas taças de vinho e metade das entradas’. Realmente esfriou o fim do encontro e tornou algo que tinha sido uma noite romântica em uma negociação, então peguei a conta e paguei tudo. Acho que é elegante um homem planejar pagar se a convidou para sair. Se um cara não quer gastar em uma taça de vinho enquanto desfruta da minha companhia, por que deveria ficar ao lado dele?

“Se um homem convida uma mulher para sair, ele deve pagar, mas ela deve se oferecer para ajudar. Ele deve recusar, mesmo para dar a gorjeta, se quiser sair uma segunda vez. Depois de alguns encontros, ela deve ajudar com os custos do namoro.”

...e aquelas que não conseguem chegar a uma conclusão sobre o assunto.

“Sempre me ofereço para pagar a metade, mas meus piores relacionamentos foram com homens que aceitaram. Vou continuar a me oferecer, porque parte de mim sempre achará estranho simplesmente supor que alguém vai pagar pelas minhas coisas, mas, honestamente, se eles aceitam, não é um bom sinal para o futuro. Tenho meu próprio dinheiro e orgulho da minha capacidade de cuidar de mim mesma, ou mesmo convidar um homem se eu quiser, mas essa dinâmica me confunde muito. Não sei por que homens que aceitam meu dinheiro acabam sempre sendo um desastre. E meu lado feminista odeia o quanto gosto que eles paguem. Simplesmente odeio tudo sobre acertar a conta nos primeiros encontros. Odeio oferecer e aceitar. Eca.”

“Esse é um tema confuso e que causa pânico. Para mim, é ainda mais complicado porque escrevo sobre restaurantes como forma de sustento. Além dos caras esperarem que eu escolha o restaurante e recomende coisas no cardápio, me preocupo que eles esperem que eu pague também. Há encontros nos quais simplesmente entro em pânico e pego a conta; há encontros nos quais sento em cima das mãos por alguns segundos e vejo se ele pega a conta; e há encontros quando eu imediatamente sei que não vão dar em nada e digo ao garçom que vamos dividir a conta. E existem aqueles caras. Os que não vão deixar você pagar, e os que deixam você pagar dizendo que a próxima é deles e um obrigada. Na maioria das vezes, se eles pagam, me ofereço para pagar a próxima.”

Mas, na maior parte das vezes, as mulheres são totalmente a favor de dividir a conta...

“Eu e meu namorado nos conhecemos em um encontro às cegas. Trocando mensagens, sabia que ele era um estudante de pós-graduação com bolsa de estudos, enquanto eu tinha uma situação confortável na minha carreira e estabilidade financeira. Quando saímos pela primeira vez, não houve gestos desajeitados para pegar a conta ou conversas constrangedoras – cada um pagou sua parte. Estamos juntos há mais de um ano e ainda rachamos as despesas 50-50, mesmo para uma caixa de cervejas e Netflix. Acho que isso abre espaço em nosso relacionamento para realmente desfrutarmos da companhia um do outro, sem nos preocuparmos sobre sensação de obrigação ou de levar vantagem que podem surgir às vezes, quando uma pessoa em um relacionamento gasta mais do que a outra.”

“Honestamente, não recrimino ninguém que espera que o homem pague no primeiro encontro. No entanto, reforçar constantemente essa norma social de homens pagando a conta no fim do primeiro encontro — uma tradição que provavelmente foi criada há centenas de anos, talvez antes desse tipo de encontro existir — pode afetar negativamente o progresso que estamos tentando alcançar como mulheres. Entendo que as pessoas possam pensar que é um simples ato de cavalheirismo do homem, mas o significado por trás do cavalheirismo hoje é muito diferente do que significava há 50, 20 ou mesmo 10 anos. Eu pessoalmente sempre me ofereci para pagar ou dividir a conta. Meu namorado e eu temos um esquema onde eu escolho o local se ele for pagar pelo jantar, e ele escolhe o local quando eu pago. Esse método realmente nos ajudou a demonstrar afeto de uma maneira que ambos conhecem bem, além de ser igualitária e justa. Ele adora o fato que ambos dividem as responsabilidades e um não é ‘dominado’ pelo outro.”

“Quando tenho algum encontro, sempre me ofereço para dividir a conta ou uma rodada de bebidas. Faço isso porque acho que é mais importante ter consideração pela situação de outras pessoas, do que simplesmente supor que uma pessoa vai bancar tudo e cuidar de você. Sei o que é viver de salário em salário, então sinto que me oferecer para dividir a conta quer dizer: ‘aprecio seu gesto, mas posso bancar do meu lado. Não porque quero ou preciso, mas porque respeito você o suficiente e confio em mim o suficiente para saber que dividir o jantar não vai determinar o resto de nossa vida amorosa’”.

“Trato o primeiro encontro como planejo tratar o resto do relacionamento, caso se torne algo mais sério: uma divisão igualitária 50/50. Tenho sorte de ter uma carreira e dinheiro suficiente para me manter e me divertir por outro lado. Além disso, não sinto necessidade de seguir a tradição por uma questão de tradição. Se ele se sente diminuído ao permitir que eu contribua financeiramente para nossa noite, então sua segurança psicológica é assustadoramente frágil, e é muito provável que ele não seja o tipo de homem que eu gostaria de namorar de qualquer maneira.”

“Em qualquer encontro, seja o primeiro ou o último, sempre estou preparada para pagar parte da conta. Na maioria das vezes, o homem insiste em pagar, então não recuso a oferta, mas deixarei claro que pagarei a conta de vez em quando. Fui ensinada a não depender financeiramente de ninguém.

...ou as que cobrem os gastos sozinhas.

“Sempre pago, assumo que vou pagar e me preparo para pagar. Quando tenho um encontro, especialmente se dei o primeiro passo, assumo a responsabilidade de pagar já que convidei o paquera para ser meu convidado. Se eu não puder cobrir a conta toda, deixo isso claro e peço para dividir. Infelizmente, ainda vivemos em uma cultura onde esperamos favores de mulheres quando os homens pagam. Não devo nada a ninguém e posso cuidar de mim mesma. Se ele deu o primeiro passo e me convida, também me preparo para pagar, mas pergunto antes: “Como você quer fazer com a conta?”.

Normalmente costumo me guiar por quem convidou para o encontro. Se foi ele, espero que ele pague, mas sempre trago dinheiro por precaução. Se convido um cara, tenho total intenção de pagar. Nos dias de hoje, se você quiser namorar ou sair com alguém de qualquer forma, você não pode esperar que eles tenham dinheiro para torrar no cinema, minigolfe ou jantar. Então, se você for a pessoa que está convidando, deve ser a que supostamente deve pagar.”

“Pela minha experiência, há um certo desconforto entre os homens quando me ofereço para pagar a conta no fim de um primeiro encontro. Seja um amigo ou um paquera, o homem sempre pega o talão de cheques. Quando ofereço para pagar, eles normalmente recusam. Mas estabeleci uma regra para mim mesma que, se escolho o lugar, eu pago. Se o homem escolhe, ele paga. Acho que é mais cortês, porque se escolho um restaurante caro e o homem não estava contando que as refeições iam extrapolar o orçamento, então não me importo de pagar a conta. Mas, quando pago, normalmente o homem se sente diminuído, porque não pode cuidar de mim. Tento deixar claro que ambos somos pessoas independentes, com empregos que pagam um salário decente e não há problema quando pago para os dois, porque acredito em tratamento igualitário. Depois que digo isso, não acho que o cara realmente se importa de ser convidado uma vez ou outra.”

“A pessoa que convida deve pagar no primeiro encontro. Depois acho que devem alternar, ou decidir quem paga dependendo de quem convida e faz os planos.”

Moral da história: se você tem uma forte preferência por pagar ou não pagar no primeiro encontro, faça o que manda sua consciência. Mas se estiver em conflito e com tendência a adotar um método igualitário de paquera (oi!), não parece ser tão fora dos padrões dividir ou pagar totalmente a conta no primeiro encontro. Mesmo se não der em nada, é uma boa maneira de fazer com que homens ignorantes se interessem pelo feminismo.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.