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Boxeadora de 25 anos enfrenta câncer raro e precisa de R$ 250 mil para tratamento

19/07/2015 15:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

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Cruzado de direita e gancho de esquerda. São os golpes mais perigosos da gaúcha Giovana Kreitchmann Cavalcanti, 25. Lutadora amadora de boxe desde os 18 anos, ela já encarou Acelino Freitas, o Popó, no ringue. De passagem por Porto Alegre em 2010, o tetracampeão mundial queria praticar e trocar alguns socos. Encontrou então o Clube do Boxe, academia onde Giovana treinava. “O Popó perguntou se dava para bater em mim. E o meu técnico disse: Vai lá. É uma atleta nossa. Já está acostumada”.

Até o ano passado, Giovana dedicava quatro horas do dia ao boxe. “Treinava pela manhã e pela tarde. Sábado fazia o funcional. Comecei a ficar mais rápida e com corrida tinha mais fôlego e aguentava mais rounds", contou ao Brasil Post.

Mesmo com essa dedicação toda, o desânimo batia quando pensava na desorganização do mundo esportivo e do boxe no Rio Grande do Sul. Decidiu optar pelo caminho tradicional, cursar Direito e formou-se advogada. Na entrada para a formatura, em agosto de 2012, os alto-falantes dispararam “Eye of the Tiger”, trilha do clássico "Rocky, Um Lutador", filme vencedor do Oscar de Melhor Filme de 1977.

Naquele período, a batalha mais difícil de Giovana já estava acontecendo. Naquele mesmo 2012, a lutadora foi diagnosticada com um tipo raro de câncer, o carcinoma mioepitelial de parótida (glândula salivar). Giovana não tinha alternativa a não ser partir para cima.

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Com as complicações da doença, foi obrigada a deixar os treinos de lado no ano passado, quando os pulmões e a resistência do corpo levaram um golpe abaixo da linha da cintura. “Estou numa fase bem ruim. Tenho anemia, preciso fazer transfusão de sangue e toda energia que gasto me faz falta. Estou bem fraca. Esporte não é o ideal agora.”

A doença de Giovana aparece com maior frequência em pacientes com mais de 60 anos. Das glândulas salivares, a doença se espalhou por ossos, pulmão e cérebro. E o corpo jogou Giovana contra as cordas.

Para enfrentar o novo estágio da doença, a advogada precisa de um medicamento ainda não disponibilizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Com isso, o preço do tratamento vai às alturas.

Cada dose do Nivolumab, medicamento produzido nos EUA, tem valor médio de US$ 24 mil (R$ 75,26 mil). Para o custeio total de quadro doses, Giovana precisa de R$ 250 mil.

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Foi criado então um sistema de financiamento coletivo. Até esta quarta-feira (15) eram R$ 232,7 mil depositados, 93% do total. “Vejo o carinho e a atenção que as pessoas dão e estou conseguindo superar tudo.”

Um grupo de amigas também se organizou para rifar prêmios, que vão de anéis e colares de ouro até gratuidade em academias e vouchers em lojas. Internacional e Grêmio também entraram na dança: os clubes doaram camisas para a campanha.

Momentaneamente fora do ringue, Giovana alimenta a paixão pelas lutas pela televisão. No MMA, é fã de Ronda Rousey e da brasileira Bethe Correia. Entre os homens, o favorito é o também gaúcho Fabrício Werdum. Mike Tyson, Muhammad Ali e Floyd Maywheater são os favoritos no boxe. “Sou apaixonada pelo Mayweather. Mas achei que a luta que ele ganhou contra o (Manny) Pacquiao não foi para ele. O Pacquiao foi bem melhor.”

Da mesma maneira que fez o boxeador filipino derrotado, Giovana prefere agir mais e reclamar menos. "Gostava de imaginar que o saco de porrada era o câncer. Aí batia bem forte."

Em pouco tempo, o cruzado de direita e o gancho de esquerda de Giovana vão voltar à ativa. E aí é melhor sair da frente.