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17/07/2015 12:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Cunha anuncia rompimento e afirma: 'O governo não me engole, tem ódio pessoal, fez tudo para me derrotar'

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Acuado com as novas denúncias da Operação Lava Jato, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), convocou uma entrevista coletiva para atirar contra o governo e os delatores da investigação. Para ele, a ação foi orquestrada pelo Palácio do Planalto para coincidir com o pronunciamento que ele fará nesta sexta-feira (17) em cadeia nacional.

"O governo não me engole, tem ódio pessoal, fez tudo para me derrotar."

Na quinta-feira (16), o ex-consultor das empreiteiras Toyo Setal e Camargo Corrêa Júlio Camargo disse que foi pressionado por Cunha a pagar US$ 10 milhões de propina, sendo que US$ 5 milhões foram pagos pessoalmente ao peemedebista. Também ontem, o doleiro Alberto Youssef disse que está sendo intimidade por “pau mandado” de Cunha.

Aos jornalistas, o presidente da Casa negou as acusações, disse que o juiz Sérgio Moro, que conduz as investigações se acha dono do País e acusou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de trabalhar em benefício pessoal, de olho na sua recondução.

"O juiz do primeiro grau não poderia ter conduzido o processo daquela maneira. Esse é um processo que tem foro privilegiado. (…) Meus advogados vão avocar para que o processo venha para o Supremo Tribunal Federal e não fique mais sob um juiz que acha que é o dono do País, que ele é o dono de todas as instâncias. Acha que o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça se mudaram para Curitiba porque ele quer fazer papel de todos.”

Para Cunha, há um tratamento privilegiado para os petistas envolvidos na operação. Ele citou o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS) por não ter sido alvo da Polícia Federal, embora tenha sido citado nas delações.

“É um constrangimento a um chefe de poder. Não dá para aceitar que o governo use sua máquina para buscar a perseguição política contra aqueles que se insurgem contra eles ou que eventualmente se posicionem contra eles.”

Cunha frisou que, pessoalmente, está rompido com o governo e que defenderá o fim da aliança no encontro do partido em setembro. O peemedebista, porém, ressaltou que, embora faça oposição ao governo, terá seriedade no cargo que ocupa. “Essa lama, em que está envolvida a corrupção da Petrobras, cujos tesoureiros do PT estão presos, essa lama eu não vou aceitar estar junto dela.”

PMDB e Planalto

Em nota, o PMDB ressalta que o rompimento é uma posição pessoal de Cunha, "que se respeita pela tradição democrática do PMDB". "Entretanto, a Presidência do PMDB esclarece que toda e qualquer decisão partidária só pode ser tomada após consulta às instâncias decisórias do partido: comissão executiva nacional, conselho político e diretório nacional."

O Palácio do Planalto adotou a mesma postura do PMDB. Em nota, afirmou que espera que essa decisão do presidente da Câmara não se reflita nas ações e decisões da Casa.

“Neste momento em que importantes desafios devem ser enfrentados pelo País, os Poderes devem agir com comedimento, razoabilidade e equilíbrio na formulação das leis e das políticas públicas”, diz trecho da nota.

A Presidência também negou que tenha qualquer influência nas investigações da Operação Lava Jato. “O Governo sempre teve e tem atuado com total isenção em relação às investigações realizadas pelas autoridades competentes, só intervindo quando há indícios de abuso ou desvio de poder praticados por agentes que atuam no campo das suas atribuições."