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11 coisas (muito malucas) que você não sabia sobre Ernest Hemingway

17/07/2015 20:05 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Ernest Hemingway tirou a própria vida em 2 de julho de 1961.

Veja abaixo fatos obscuros (e curiosos) sobre a vida do escritor, tiradas de entrevistas e relatos pessoais do romancista.

1. Aparentemente, Hemingway morou, ficou bêbado e dormiu com um urso.

A jornalista da revista New Yorker Lillian Ross escreveu um longo perfil de Hemingway em 1950.

ernest hemingway

Em uma parte da reportagem em que ela está num bar com o autor, falando sobre os ursos do zoológico do Bronx, Ross inclui uma anedota sobre o bom relacionamento de Hemingway com os animais. “Em Montana, certa vez, ele morou com um urso, e o urso dormia com ele, ficava bêbado com ele e era um ótimo amigo.”

Esse fato ao mesmo tempo parece insano e não aparece em outros lugares. Não está claro se foi uma informação exclusiva descoberta por Ross ou se a história é só uma lenda.

2. F. Scott Fitzgerald pediu que Hemingway olhasse seu pênis para dizer se ele era adequado.

hemingway fitzgerald

Em Paris é uma Festa – uma coleção de histórias sobre o tempo que Hemingway passou em Paris nos anos 1920 --, há uma longa interação do escritor com o autor de O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald. Na conversa, segundo Hemingway, Fitzgerald confessa que sua mulher, Zelda, disse que seu pênis era pequeno demais, ou: “Ela disse que era uma questão de medidas”.

Hemingway pede que Fitzgerald o acompanhe até o banheiro, e então diz: “‘Não tem nada errado’, eu disse. ‘Está tudo bem com você’. Ele continuou assegurando Fitzgerald de que não havia nenhum problema. ‘Você se olha de cima e parece pequeno. Vá ao Louvre e olhe as pessoas nas estátuas, depois volte para casa e se olhe no espelho de perfil’”.

3. Hemingway disse que não conseguia pensar numa maneira melhor de gastar dinheiro do que com champanhe.

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Image: Getty

No perfil da New Yorker de 1950, Hemingway se frustra com a companhia de um almoço, achando que eles vão deixar a mesa antes de terminar a champanhe.

“‘A garrafa de champanhe pela metade é inimiga do homem’”, disse Hemingway. Nos sentamos de novo”, escreve Ross.

Enquanto serve mais champanhe, Hemingway diz: “Se tiver dinheiro, não conheço melhor maneira de gastá-lo que com champanhe”.

4. A KGB recrutou Hemingway como espião, e ele aceitou.

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Segundo uma reportagem de 2009 do The Guardian, Hemingway tinha o codinome “Argo” enquanto meio que trabalhou para a KGB. O artigo fala sobre a publicação de Spies: The Rise and Fall of the KGB in America (espiões: a ascensão e queda da KGB nos Estados Unidos, em tradução livre), da Yale University Press. O livro afirma que Hemingway foi listado como um operador da KGB nos Estados Unidos nos tempos de Stálin.

Segundo os documentos obtidos pelo livros, Hemingway foi recrutado em 1941 e estava inteiramente disposto a ajudar, mas nunca forneceu informações úteis. Não está claro se Hemingway encarou o trabalho como brincadeira ou se era simplesmente um mau espião.

“O nome é Hemingway, Ernest Hemingway” tem sílabas demais.

5. Nos últimos anos de sua vida, ele era vigiado pelo FBI.

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A.E. Hotchner, biógrafo e amigo do autor durante 14 anos, escreveu um artigo de opinião no New York Times em 2011 afirmando que Hemingway passou seus últimos dias incrivelmente paranoico com uma possível vigilância do FBI – e a paranoia era justificada.

“É o pior dos infernos. O inferno mais maldito. Eles grampearam tudo. É por isso que estamos usando o carro de Duke. O meu está grampeado. Tudo está grampeado. Não posso usar o telefone. A correspondência é interceptada”, teria dito Hemingway a Hotchner logo depois de seu 60º aniversário. Hotchner lembra de pensar que Hemingway estava enlouquecendo, pois não parava de falar no grampo dos telefones e na correspondência interceptada.

Hotchner ficou chocado quando o FBI liberou os arquivos relativos a Hemingway, depois de um pedido baseado na Lei da Liberdade de Informações. O órgão admitia que em 1940 Hemingway foi incluído por J. Edgar Hoover numa lista de suspeitos. “Nos anos seguintes, os agentes fizeram relatórios e grampearam o telefone dele.” Hotchner teve de reconciliar suas memórias de um Hemingway enlouquecendo no fim da vida – que levaram a terapias de choques elétricos – com o fato de que o autor estava certo, no fim das contas.

6. Hemingway achava “muito perigoso” não ir a várias lutas por ano.

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No mesmo perfil da New Yorker de 1950, Ross descreve o que aconteceu quando ela sugeriu que uma luta tinha sido sem graça:

Hemingway me olhou longamente, com reprovação.

"Filha, você tem de entender que uma luta ruim é melhor que não ver uma luta”, disse ele. Iríamos todos a uma luta quando ele voltasse da Europa, disse ele, porque era absolutamente necessário ir a várias lutas boas por anos. “Se você ficar muito tempo sem ir, você as abandona”, disse ele. “Isso seria muito perigoso.” Ele foi interrompido por um curto acesso de tosse. “No fim”, concluiu ele, “você acaba num quarto e não vai sair de lá.”

7. James Joyce arrumava brigas em bares, e Hemingway batia na pessoa.

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Kenneth Schuyler Lynn tem a seguinte frase em seu livro Hemingway, sobre a amizade entre Hemingway e James Joyce:

“Saíamos para um drink”, disse Hemingway para um repórter da Time nos anos 1950, “e Joyce acabava numa briga. Ele não conseguia nem enxergar o homem, e dizia: ‘Cuida dele, Hemingway! Cuida dele!”

8. Segundo Hemingway, suas pálpebras eram muito finas, o que o fazia acordar todos os dias com o nascer do sol.

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Essa também vem do perfil da New Yorker, no qual Ross escreve: “Ele sempre acorda com o nascer do sol, explicou, porque suas pálpebras são especialmente finas, e seus olhos, especialmente sensíveis à luz”.

Na reportagem, Hemingway diz: “Vi o sol nascer todos os dias da minha vida, e isso é meio século”. Ele continua: “Acordo de manhã e minha cabeça começa a construir frases, e tenho de me livrar delas rápido – pronunciá-las ou escrevê-las”.

9. Sua produção diária era registrada num pedaço de papelão pendurado numa parede.

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O jornalista americano George Plimpton entrevistou Hemingway num café de Madri em maio de 1954. No artigo, Plimpton escreve:

Ele registra seu progresso diário – “para não enganar a mim mesmo” – numa grande tabela, desenhada na lateral de uma caixa de papelão e colocada na parede, embaixo da cabeça de uma gazela. Os números da tabela mostram a produção diária de palavras e passam por 450, 575, 462, 1250, 512, os valores mais altos quando Hemingway trabalhou mais para não se sentir culpado quando estava pescando na Corrente do Golfo.

10. O final de Adeus às Armas foi reescrito 39 vezes.

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Na mesma conversa no café de Madri, Hemingway falou a Plimpton sobre o final de um de seus livros mais famosos.

Plimpton perguntou o quanto Hemingway costumava reescrever seus textos. O romancista respondeu: “Depende. Reescrevi o final de Adeus às Armas, a última página, 39 vezes antes de ficar satisfeito”.

O entrevistador perguntou: “Havia algum problema técnico? O que te atrapalhou?”

Hemingway respondeu: “Escolher as palavras certas”.

11. Hemingway queria passar a velhice assim...

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Do perfil da New Yorker, eis uma descrição extensa de Hemingway de como ele idealmente passaria sua velhice:

“Quando for velho quero ser um velho sábio, que não seja chato”, disse ele, fazendo uma pausa enquanto o garçom colocava diante dele um prato de aspargos e alcachofra e servia o Tavel. Hemingway provou o vinho e assentiu com a cabeça para o garçom. “Gostaria de ver todos os novos lutadores, cavalos, balés, ciclistas, damas, toureiros, pintores, aviões, filhos da puta, personagens de cafés, grandes putas internacionais, restaurantes, anos de vinho, notícias, e nunca mais ter de escrever uma linha sobre nada disso”, disse ele. “Gostaria de escrever muitas cartas para meus amigos, e receber cartas de volta. Gostaria de fazer amor bem até os 85, como Clemenceau. E o que gostaria de ser não é Bernie Baruch. Não sentaria em bancos de praça, apesar de poder caminhar no parque de vez em quando para dar de comer aos pombos, e também não teria uma barba comprida, para que houvesse um velho que não fosse parecido com Shaw”. Ele parou e passou as costas da mão na barba, olhando para o salão. “Nunca conheci o senhor Shaw”, disse ele. “Também nunca fui às cataratas do Niágara. De qualquer modo, gostaria de correr de charrete. Não dá para ser um dos melhores nesse esporte se você não tiver mais de 75 anos. Aí eu poderia arrumar um time jovem, talvez, como o senhor Mach. Só que eu não sinalizaria com um programa – para quebrar o padrão. Não decidi com o que sinalizaria. E, quando tudo se acabar, serei o cadáver mais lindo desde Pretty Boy Floyd. Só os idiotas se preocupam em salvar a alma. Quem diabos deveria se preocupar em salvar a alma quando o dever do homem é perdê-la de forma inteligente, da maneira como você venderia uma posição que está defendendo, se não consegue mantê-la, tão caro quanto possível, tentando fazer dessa posição a mais cara jamais vendida. Não é difícil morrer.” Ele abriu a boca e riu, primeiro sem som, depois alto. “Chega de preocupações”, disse ele. Com a mão, ele pegou um aspargo grande e olhou para ele sem entusiasmo. “É preciso ser um homem muito bom para fazer sentido quando se está morrendo”, disse ele.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.