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16/07/2015 16:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Bairro de SP fica 16 horas sem água. Mesmo assim a Sabesp pretende aumentar pela 3ª vez a tarifa do serviço

Pedro França/Agência Senado

A Sabesp planeja o terceiro reajuste na conta da água para os próximos meses. O próximo passo da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) provavelmente será aumentar 7,5% na tarifa cobrada dos paulistanos. Moradores da capital paulista que há mais de um ano sofrem com o racionamento de água por meio da redução da pressão e do fechamento manual da rede dizem que um novo aumento na conta seria um "absurdo".

"A água em casa acaba às 14h e só volta às 6 h. Antes, ainda tinha fim de semana que liberavam a água o dia inteiro, mas nem lembro mais a última vez que isso aconteceu. A situação só piorou, enquanto eles vão aumentando a conta", diz a assistente de produção Raquel de Morais Amendoeira, de 32 anos, que mora no bairro do Limão, na zona norte, abastecida pelo Sistema Cantareira.

Ela conta que, como mora sozinha e sempre pagou a tarifa mínima - porque consume pouca água -, nem percebe o efeito do desconto dado pela Sabesp para quem economiza em meio à sucessão de reajustes tarifários. "O prejuízo é deles, foi provocado por eles, e estão passando para a gente", reclama.

Para o mecânico Jhonatan Wengler de Oliveira, de 24 anos, que mora em São Mateus, zona leste paulistana, e fica sem água das 17 horas às 9 h todos os dias, aumentar ainda mais a tarifa seria "um abuso".

"Isso é uma vergonha. Se represas se recuperarem e a situação voltar ao normal, eles não vão baixar a tarifa. Onde isso vai parar? Daqui a pouco não teremos dinheiro para pagar a água da rua", critica. O local onde ele mora e trabalha é abastecido pelo Sistema Alto Tietê, que também está com nível crítico.

Terceiro aumento

O possível aumento de até 7,5% na tarifa de água da capital seria o terceiro reajuste desde dezembro de 2014, quando a conta de água aumentou 6,5%. Em junho, a pedido da Sabesp, a Arsesp autorizou um aumento extraordinário, de 15,2%, por causa das perdas financeiras registradas pela estatal em razão da crise hídrica. A Sabesp, contudo, queria um aumento de 22,7%.

O reajuste na conta é questionado na Justiça pela Associação de Consumidores Proteste. "Tivemos um reajuste extraordinário altíssimo em junho. Um novo aumento é um absurdo, inaceitável, inimaginável para quem já está ficando sem água. Penaliza duas vezes o consumidor", disse Maria Inês Dolci, coordenadora da Proteste.