COMPORTAMENTO
15/07/2015 18:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Como ser mais parecida com Frida Kahlo, segundo a própria Frida Kahlo

Associated Press
FILE - In this April 14, 1939 file photo, painter Frida Kahlo poses at her home in Mexico City. The Frida Kahlo Museum in Mexico City presented a multimedia guide that will provide visitors with a greater amount of information about the iconic Mexican painter, as they view her work, Wednesday, April 9, 2014. (AP Photo/File)

Vamos falar a verdade: todo mundo gostaria de ser Frida Kahlo. Ela foi uma feminista antes do seu tempo, incorporou com autenticidade símbolos mexicanos e indígenas em sua arte e teve um relacionamento romântico – e explosivo – com Diego Rivera. Seus auto-retratos são incomparáveis, assim como suas frases espirituosas.

Escritores e pintores brilhantes podem ser fonte de inspiração, mas também nos fazem pensar como poderíamos chegar às alturas que eles alcançaram. Por sorte, Kahlo nunca deixou de expressar sua visão de mundo e seu estilo de vida – ela nos deixou muitos conselhos.

Eis, então, um programa de sete passos para ser mais parecido com a pintora. Não sabe como encarar uma situação difícil hoje? Imagine que Kahlo é sua coach. Ela está sentada na sua frente, te encarando com olhos emoldurados por aquelas sobrancelhas famosas. Pergunte a si mesmo: O Que Frida Kahlo Faria? Quem sabe você não acaba virando um pintor brilhante?

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1. Diga que você não sabe escrever cartas de amor e, então...

“Não sei escrever cartas de amor”, disse Kahlo humildemente para sua paixão Jose Bartoli, em 1946. Depois ela acrescenta: “Desde que me apaixonei por você, tudo se transformou e está cheio de beleza... o amor é como um aroma, uma corrente, como a chuva. Você sabe, meu céu, você chove em mim e eu, como a terra, te recebo”. Ah, se a gente não soubesse escrever cartas de amor assim...

Moral da história: quando se comunicar com alguém que ama, não coloque o sarrafo muito alto e aí pule por cima dele de forma extravagante. A suposta ignorância de Kahlo em relação ao mundo epistolar pode ter sido sua maior força. Ela se permitiu brincar com a linguagem e com as emoções de maneiras que a comunicação tradicional teria proibido.

Além disso, se você tiver sorte, suas cartas podem vir a valer uma fortuna. Em um leilão realizado em abril, 25 das cartas de Kahlo para Bartoli foram vendidas por 137 000 dólares. Ótimo, para alguém que disse que não sabia o que estava fazendo.

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2. Confronte suas experiências mais trágicas e transforme-as!

Quando alguma coisa acontece com a gente, nos escondemos – empurrando as memórias para o fundo do subconsciente e esperando que ninguém nos obrigue a confrontá-las. Infelizmente, a vida não funciona assim, e a repressão tende a causar todo tipo de problema psicológico. Kahlo tinha outra opinião.

Apesar de ter pólio na infância e sofrer um terrível acidente de ônibus na juventude, ela nunca se perdeu a esperança. Na verdade, Kahlo começou a pintar quando estava de cama, pois era uma das poucas coisas que ela conseguia fazer. Depois de sofrer um aborto natural aos 24 anos, Kahlo escreveu para seu médico: “Chorei demais, mas passou, não há nada a ser feito além de aturar”. Mas ela fez muito mais que simplesmente aceitar a tragédia; ela a incorporou em sua arte.

O quadro Hospital Henry Ford retrata uma Kahlo nua, conectada por cordões umbilicais a vários símbolos poderosos. O mural Detroit Industry, de Rivera, trabalhou com imagens parecidas, mostrando um bebê encolhido dentro da raiz de uma planta. Essas pinturas são assustadoras e emocionantes – mas tendemos a esquecer que elas são radicalmente corajosas. Kahlo (e Rivera) reconheceram que as tragédias devem ser confrontadas e que os assuntos mais privados têm lugar em nossas personas públicas e artísticas.

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3. Dedique-se à jardinagem

A horticultura há muito é associada com criatividade e serenidade, mas Kahlo levou o hobby muito além. No pátio de sua famosa Casa Azul, no bairro de Coyoacán, na Cidade do México, ela cultivou um universo de plantas tão sereno que ele ainda é mantido para os visitantes. Seus interesses botânicos também inspiraram os motivos naturais de suas pinturas, particularmente depois do declínio de sua saúde, nos anos 1940 e 1950, quando ela passou a ficar mais tempo em casa. “Pinto flores para que elas não morram”, disse ela sobre os trabalhos.

Então pegue uma espátula e algumas sementes; você pode ficar tão fascinado pela jardinagem que vai precisar pintar obras-primas para salvar a vida das plantas. Se quiser inspiração, não é preciso visitar a Casa Azul. Uma nova exposição no Jardim Botânico do Bronx, em Nova York, recriou o jardim de Kahlo, com tudo, das fúcsias às peras da Casa Azul.

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4. Conhece-te a ti mesmo

A geração do milênio é constantemente acusada de narcisismo, e o fenômeno do “eu! eu! eu!” na redes sociais às vezes nos faz pensar que não seria má ideia se as pessoas conhecessem um pouco menos a si mesmas. Mas Kahlo reconheceu a importância de olhar profundamente para si mesma – de forma aguda e autêntica. Existe um motivo pelo qual citamos os auto-retratos como os trabalhos mais famosos da artista. “Sou minha própria musa”, disse ela, sem traço de ironia, “o sujeito que conheço melhor”.

Em vez de presumir que pudesse falar por todos nós, Kahlo pintava o que conhecia. Mas há uma diferença entre aqueles auto-retratos e as selfies do Instagram. O trabalho de Kahlo era profundamente sincero. Ela aceitou e retratou os lados menos glamurosos de sua vida, em vez escondê-los. Ela não se mascarou com filtros ou com o brilho fugaz das redes sociais – pois reconhecia que conhecer-se a si mesma significava ser cândida e aberta.

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5. Viva num mundo de paradoxos

A maioria de nós quer acreditar que o universo é lógico, portanto nos apresentamos como seres humanos consistentes. Mas basta dar uma olhada no trabalho de Kahlo para perceber que ela nunca enxergou o mundo assim, unidimensional e entediante. É algo que seu amante Diego Rivera capturou primorosamente:

“A recomendo para você, não como marido, mas como admirador entusiasmado do trabalho dela, ácido e gentil, duro como aço e delicado como a asa de uma borboleta, amável como um lindo sorriso e profundo e cruel como o amargor da vida.”

A coach Kahlo lhe diria que o gentil e o áspero podem ser combinados, que o belo e o feio se misturam com facilidade – que a sua vida, como as pinturas dela, não precisa ser entendida através de uma única lente. É uma ideia poderosa: abandonar identidades singulares e aceitar o caos.

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6. Rejeite todos os rótulos

Muito antes de a expressão “rejeito rótulos” virar moda, Kahlo se recusava a aceitar que os humanos possam ser categorizados sob simples palavras. Ela costuma ser chamada de surrealista por causa da maneira como suas pinturas misturam imagens de forma onírica – combinando símbolos e corpos de maneiras que parecem impossíveis para uma mente desperta. Mas Kahlo rejeitava o termo, dizendo: “Achavam que eu era surrealista, mas não era. Nunca pintei sonhos. Pintei minha própria realidade.” Grandes artistas, afinal de contas, não podem ser confinados a um único movimento ou ideologia – e Kahlo sabia disso. Ela sempre definiu seu trabalho em seus próprios termos: a realidade dela.

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7. Nunca se deixe levar pelo seu sucesso

Nem mesmo os espécimes mais humildes e autênticos da humanidade conseguem evitar os perigos da fama – a menos que você seja Frida Kahlo. Quando sua arte começou a ganhar popularidade e reconhecimento nos círculos artísticos, ela se manteve fiel a suas raízes e continuou sendo cética em relação ao elitismo. “Eles são tão ‘intelectuais’ e podres que não os aguento mais”, reclamou ela certa vez.

“Prefiro me sentar no chão do mercado de Toluca e vender tortilhas a ter qualquer coisa a ver com aquelas vadias ‘artísticas’ de Paris.”

Portanto, se você estiver satisfeito demais, orgulhoso demais com seu sucesso, pergunte-se: O Que Frida Kahlo Faria? A resposta: desça do pedestal e sente no chão.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.