MULHERES

Homens superestimam habilidades matemáticas, o que pode explicar a disparidade de gêneros nas exatas

13/07/2015 18:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02
nyhack.org/FlIckr.com

Há muito mais homens que mulheres em profissões ligadas a ciência e tecnologia – mas não porque eles sejam mais competentes nessas áreas.

Uma nova pesquisa sugere que a resposta pode estar não nas habilidades e interesses dos homens, mas na confiança que eles têm em sua capacidade de resolver os problemas matemáticos complexos centrais para os campos de CTEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática).

Pesquisadores da Universidade Washington State descobriram que homens tendem a superestimar de forma significativa suas habilidades matemáticas, enquanto as mulheres são mais precisas em suas autoavaliações.

No estudo, 122 alunos da universidade fizeram provas de matemática e depois estimaram suas performances. Em um dos experimentos, os estudantes receberam as notas e fizeram uma nova prova, mais uma vez estimando sua performance.

Em um segundo experimento, os alunos fizeram a prova, mas não receberam as notas – em vez disso, responderam se tinham planos de seguir carreira na área de exatas.

Os resultados revelaram que os homens tendem a superestimar suas notas, enquanto as mulheres são mais precisas em suas estimativas.

Os homens também tinham mais propensão a dizer que seguiriam alguma carreira de CTEM, provavelmente por causa da confiança em suas habilidades matemáticas, disse o autor do estudo em um comunicado.

Quando homens e mulheres fizeram novas provas depois de ser informados sobre as notas, porém, a diferença de percepção desapareceu.

“A disparidade de gêneros nos campos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática não se explica necessariamente pelo fato de as mulheres subestimarem suas capacidades, mas sim pelo fato de que os homens superestimam as deles”, disse Shane Bench, estudante de pós-graduação da universidade e líder do estudo.

Apesar de meninas do mundo todo terem performance superior à dos meninos em matemática e ciências, ainda existe grande disparidade de gênero nos campos de CTEM.

Garantir que meninas e mulheres recebam feedback construtivo sobre sua performance em matemática pode ser um primeiro passo para reduzir essa disparidade de gêneros.

De fato, a pesquisa mostra que mulheres que tiveram melhores experiências em matérias de CTEM tinham mais propensão a superestimar as notas das provas.

“É possível aumentar o viés positivo das mulheres nos domínios acadêmicos... se elas tiverem experiências positivas com matemática na infância e juventude”, disse Bench em um email ao The Huffington Post.

“Isso pode significar uma percepção de viés mais positivo de suas performances, o que pode incentivar a persistência necessária para superar desafios nas fases iniciais, além da perseverança para seguir carreiras de CTEM.”

Os resultados foram publicados esta semana na revista Sex Roles.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.