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10/07/2015 11:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Dunkin' Donuts muda 'receita' para voltar ao Brasil e espera abrir mais 63 lojas no País

Rachel Murray via Getty Images
SANTA MONICA, CA - SEPTEMBER 02: A general view of atmosphere during the Dunkin' Donuts Santa Monica Grand Opening on September 2, 2014 in Santa Monica, California. (Photo by Rachel Murray/Getty Images for Dunkin' Donuts)

Depois de quase 10 anos fora do Brasil, a Dunkin’ Donuts voltou com tudo. Ela reformulou os ambientes de lojas, para ficarem mais aconchegantes, e planeja abrir 65 novos pontos nos próximos anos.

Em entrevista a Exame.com, o vice-presidente de desenvolvimento internacional, Jeremy Vitaro, comentou que o retorno das rosquinhas chamou a atenção dos consumidores brasileiros.

As duas primeiras lojas abriram em maio deste ano, em Brasília. Clientes dormiram em frente às lojas antes da abertura, e a fila se mantém mesmo semanas depois.

A companhia saiu do Brasil em 2005, por não ter a infraestrutura adequada para crescer, afirmou Vitaro. Agora, ao retornar ao país, a rede de rosquinhas está bastante seletiva em relação aos seus parceiros e aos pontos de venda.

Leia a íntegra da entrevista:

Exame.com: Como foi a recepção do público à abertura das duas primeiras lojas da Dunkin’ Donuts no Brasil?

Jeremy Vitaro: Sabíamos que seria boa, mas foi ainda melhor do que esperávamos. Havia tanto entusiasmo, as pessoas dormiram na fila para serem as primeiras. O melhor é que, semanas depois da abertura, ainda havia fila na entrada.

Por que o senhor acha que as pessoas estão tão entusiasmadas com a volta da companhia ao país?

Em primeiro lugar, acho que temos um ótimo café e ótimos donuts. Além disso, é uma marca icônica. Nos Estados Unidos, temos crescido bastante e atraímos vários seguidores. No Brasil, as pessoas já nos conheciam da primeira vez que viemos e algumas se sentiram conectadas à marca em viagens aos Estados Unidos.

As vendas estão de acordo com as previsões da empresa?

Estão até melhores! As bebidas também estão vendendo bem. Certamente os donuts são nossa atração principal, mas as bebidas são produtos que o público realmente abraçou.

Por que a companhia saiu do Brasil, em 2005?

Nós realmente não tínhamos a infraestrutura adequada para sustentar o nosso crescimento por aqui. Nosso produto, o menu e o alcance também não eram adequados. Depois que saímos, o negócio cresceu em mercados ao redor do Brasil. Temos mais de 350 lojas na América Latina e somos fortes em países como Chile, peru e Colômbia. Fomos adquirindo conhecimentos sobre o mercado e os consumidores.

Por que a Dunkin’ Donuts resolveu voltar ao Brasil, depois de tantos anos?

O Brasil é uma potência econômica. Claro, está enfrentando desafios econômicos de curto prazo. Mas, no longo prazo, é um ótimo mercado. Tem uma população de mais de 200 milhões de habitantes, que está ficando mais sofisticada.

O que mudou entre a saída e a volta da Dunkin’ Donuts?

Nesse período, montamos o nosso time e nos fortalecemos nos países ao redor do Brasil. Ano passado, estávamos prontos para retomar o desafio. Nos sentimos bem em relação ao que fazemos, hoje. O Brasil é uma ótima oportunidade, mas também é um grande desafio.

O que a empresa aprendeu nesse período?

Aprendemos a ser bem cuidadosos com a escolha dos pontos de venda. Aprendemos que as pessoas querem sentar e aproveitar a experiência de tomar café. Agora, não somos apenas um quiosque para comprar um donut e levar, mas sim um lugar para as pessoas passarem tempo. Fizemos lojas maiores, com uma linha completa de padaria, wifi e um design moderno e confortável. Aprendemos que precisamos ter um menu mais amplo, com mais bebidas cafeinadas e sanduíches.

Anteriormente, tínhamos apenas um parceiro no Brasil, um máster franqueado. Hoje, estamos com um modelo mais regional, a partir de vários grupos. Temos o Grupo OLH em Brasília, mas estamos buscando outros em São Paulo ou Brasília.

Quais são os principais desafios da empresa no Brasil?

O Brasil é um mercado desafiador do ponto de vista de logística e da rede de fornecedores. Temos muito o que aprender para ter certeza que estamos oferecendo os melhores produtos pelos melhores preços. Temos ainda que desenvolver nossa habilidade de escolher os fornecedores, de fora ou locais. Outro desafio é o mercado imobiliário, bastante competitivo e de custos altos, mais complicado que em outros países. Mas, ao mesmo tempo, se você encontrar a propriedade certa, consegue ter sucesso.

Há produtos específicos para o Brasil?

Sim. A Dunkin’ Donuts tem produtos padronizados, para mantermos a mesma qualidade em todos os lugares. Mas há uma parte do menu que adaptamos. No Brasil, criamos mini pães de queijo exclusivamente para o país, com um “Dunkin twist”.

Qual é a estratégia para o crescimento no Brasil e quantas lojas pretendem abrir?

A partir do nosso acordo com o grupo OLH, queremos abrir 65 lojas em cinco, dez anos. Mas à medida que entramos em outros mercados, como São Paulo e Rio de Janeiro, nosso ritmo de abertura de franquias cresce. O desafio é o primeiro passo: achar um parceiro e abrir as primeiras lojas em uma nova cidade. Mas isso vai demorar, estamos bastante seletivos com esses parceiros.