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08/07/2015 10:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

'Golpismo' apontado por Dilma Rousseff e pelo PT em 2015 já foi incentivado há 16 anos, no governo FHC

Montagem/Estadão Conteúdo

A presidente Dilma Rousseff (PT) garantiu a quem queira ouvir: “Não vai cair!”. A frase, declarada em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo nesta terça-feira (7), foi uma resposta à convenção nacional do PSDB, principal partido da oposição, o qual não esconde a necessidade de “se buscar uma alternativa democrática para o País”. Para Dilma e o PT, não passa de ‘golpismo’.

A oposição aguarda as investigações envolvendo a Justiça comum (Operação Lava Jato e Tribunal de Contas da União) e a Justiça Eleitoral (processo que corre no TSE) para dar corpo e forma a um eventual pedido de impeachment da presidente da República. Fora isso, tudo o que tem sido dito é fruto de uma tentativa de golpe por parte dos opositores de Dilma?

No mundo da política, sobretudo a brasileira, poucas são as novidades. A tese de ‘golpismo’ não é nova e já viveu um cenário semelhante em 1999. Era o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o País enfrentava dificuldades econômicas e a oposição batia pesado contra o governo. E havia quem defendesse a saída de FHC do comando do governo.

Ex-ministro nos dois mandatos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), o petista Tarso Genro usou o espaço de Opinião do jornal Folha de S. Paulo, no dia 25 de janeiro de 1999, para pedir novas eleições. É o que o senador tucano Cássio Cunha Lima (PB) pede neste ano. Nas linhas redigidas por Genro, vários trechos cairiam como uma luva no discurso que pede a saída de Dilma - pela 'coincidência'..

“O governo brasileiro já não dirige o País (...). O desfecho dessa situação de ingovernabilidade poderá ser ainda mais grave: são visíveis os sinais de que a deterioração econômica contém a possibilidade concreta de uma crise institucional, que poderá comprometer a ordem constitucional já debilitada e, pela via autoritária - tão sedutora para as nossas elites -, impor à sociedade os ‘ajustes’ preconizados pela ordem global. Mesmo que para tanto o ‘poder real’ tenha que sufocar a reação legítima da sociedade civil e, no limite, reprimir seletiva ou ostensivamente os movimentos sociais.

A nação brasileira, diante de um presidente apático, inepto e irresponsável, precisa reagir com os instrumentos que a Constituição autoriza, mobilizando todas as energias da sociedade civil na perspectiva da construção de um novo contrato social. Não de um ‘pacto social’ - artifício de que as elites lançam mão em situações de risco para preservar seus interesses exclusivistas -, mas de um ‘contrato’ que dê base à formação de uma nova maioria, na sociedade e no Parlamento, para recolocar o Estado a serviço da nação ameaçada”.

O movimento ‘Fora FHC’ foi abraçado não só por Genro, mas também por setores mais radicais do PT e de outros partidos da oposição na época, como o PDT de Leonel Brizola. Como se sabe, o movimento não prosperou e o tucano concluiu o seu mandato em 2002, quando Lula derrotou o candidato da situação, José Serra, iniciando o governo do PT a frente do País. Lula, aliás, nunca aderiu oficialmente ao movimento ‘golpista’ da época.

Um deputado do PT, Milton Temer (RJ), chegou a tentar mobilizar a sociedade civil e a oposição política por um impeachment de FHC – semelhante ao que defendem hoje alguns políticos da oposição ao governo Dilma. Na época, o então líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves, acusou tais movimentos de 'golpistas'. "Não assistiremos pacificamente a desordem", sentenciou.

Como a história mostra, as conjecturas mudam, o mundo dá voltas, alguns personagens não saem de cena para apenas mudarem de lado. E de discurso.

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