ENTRETENIMENTO
05/07/2015 10:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Um papo com a inimitável Yoko Ono

thorgilsv/Flickr
Yoko Ono Plastic Ono Band, Airwaves, Iceland, 2011, Harpa, Norðurljós, Thursday October 13


Em 1971, Yoko Ono realizou uma exposição de guerrilha solo no Museu de Arte Moderna de Nova York maliciosamente intitulada Museum of Modern (F)art. Para realizar sua performance, a artista nascida em Tóquio abriu uma jarra cheia de moscas perfumadas no jardim de esculturas do museu; depois, pediu que os frequentadores do museu seguissem o enxame enquanto ele voava pelo jardim, pelas galerias e até pela cidade. Pelo menos, foi isso que ela disse que faria no catálogo autopuplicado da exposição e nas propagandas no New York Times e Village Voice. Quando os visitantes chegaram, a única evidência da performance não autorizada era um homem parado na porta do museu com uma placa-sanduíche explicando a ideia. Mesmo assim, o ato conceitual a colocou além da porta, por assim dizer – Ono e suas moscas teóricas tinham acessado as paredes das galerias e a imaginação do público, tudo sem mostrar qualquer obra física.

Agora, mais de 40 anos depois, quando a inimitável Ono já se destacou como cantora, compositora, cineasta e artista performática, o MoMA recebe oficialmente a artista de 82 anos para explorar seus primeiros anos em Yoko Ono: One Woman Show, 1960-1971. Mostrando a década anterior à sua primeira aparição sem ser convidada no museu, a exposição exibe trabalhos, objetos, músicas e filmes conceituais da artista.

Uma obra bem conhecida é Film No. 4, apresentando uma dublagem sobre uma sequência de bundas peladas, que Ono fez no final dos anos 60 como membro do movimento de arte Fluxus, que contava com lendas como Marcel Duchamp e John Cage.

A década mostrada na exposição representa de modo similar um tempo em que Ono desafiava o pensamento convencional sobre as mulheres. Em sua performance mais icônica, a seminal Cut Piece (1964), ela examinava gênero, privilégio e status cultural, pedindo aos participantes para cortarem pedaços de suas roupas enquanto ela ficava sentava impassível no chão.

Grapefruit, o livro de 1964 com 150 instruções breves e bem-humoradas, também faz parte da exposição. Domingo passado, às 4 e meia da madrugada, Yoko Ono, realizando no museu a performance Morning Peace 2015, seguiu a instrução de Grapefruit: "Quebre um museu contemporâneo com os meios que escolher. Colete os pedaços e monte de novo com cola". Foi uma revisão da obra de mesmo nome de 1965. Agindo como o martelo e também a cola, os músicos Blood Orange e DJ Virgil Abloh tocaram até o amanhecer, enquanto Ono e quase mil participantes dançavam no lobby do jardim e em cima dos sofás e alto-falantes do MoMA sob o sol da manhã.

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