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04/07/2015 10:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Wikileaks divulga novos documentos com detalhes de espionagem dos EUA no Brasil

Reuters

A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) espionou vários membros do alto escalão do governo brasileiro, além da presidente Dilma Rousseff, como parte de seu programa de monitoramento de governos estrangeiros, revelou o site WikiLeaks neste sábado (4).

De acordo com o WikiLeaks, foram espionados pela NSA 29 números de telefone relacionados ao governo, incluindo o do então ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, e do então secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, atual ministro do Planejamento.

novas informações wikileaks

A lista também aponta como alvos de espionagem uma autoridade da área internacional do Banco Central, o ex-ministro de relações exteriores Luiz Alberto Figueiredo Machado, atual embaixador do Brasil nos EUA, e o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general José Elito Carvalho Siqueira.

Também tiveram os telefones grampeados uma secretária e um assistente de Dilma, de acordo com a lista divulgada pelo WikiLeaks, além de telefones de representações brasileiras no exterior e até do avião presidencial.

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As novas denúncias de espionagem acontecem dias após Dilma ter feito viagem oficial aos Estados Unidos pela primeira vez desde que cancelou uma visita de Estado em 2013 devido à revelação do ex-prestador de serviço da NSA Edward Snowden de que tinha sido espionada pelos EUA.

Dilma se reuniu em Washington com o presidente norte-americano, Barack Obama, na terça-feira, e disse confiar que os EUA não estão mais espionando as comunicações de países aliados, num encontro para virar a página do escândalo de espionagem que abalou as relações bilaterais.

Espionagem gerou mal estar em 2013

dilma barack obama

Em 2013, a revelação de que Dilma havia sido espionada pela NSA, agência norte-americana de espionagem, gerou uma crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. A presidente brasileira cancelou, à época, uma visita de Estado agendada para Washington e condenou duramente as ações de espionagem dos EUA na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York. Ela disse:

"Imiscuir-se dessa forma na vida de outros países fere o Direito Internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre eles, sobretudo, entre nações amigas. Jamais pode uma soberania firmar-se em detrimento de outra soberania. Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos e civis fundamentais dos cidadãos de outro país."

No mês passado, quase dois anos do início do mal-estar diplomático com a Casa Branca, Dilma afirmou ao jornal belga Le Soir que a crise gerada por conta do episódio da espionagem era “uma questão do passado”. Em meio à visita oficial desta semana, o tema da espionagem não ganhou destaque por parte dos chefes de Estado do Brasil e dos EUA.

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