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02/07/2015 15:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:35 -02

Em audiência a portas fechadas, justiça afegã reduz pena de condenados por matar jovem acusada de queimar Alcorão

AP Photo

Um corte afegã suspendeu as sentenças de morte proferidas a quatro homens condenados pelo assassinato de uma mulher que foi linchada por uma multidão em Cabul.

Farkhunda Malikzada foi atacada, apedrejada, arrastada pelas ruas, queimada e jogada em um rio após ser falsamente acusada de queimar um exemplar do Alcorão - livro sagrado dos muçulmanos.

De acordo com membros da família da vítima, a decisão foi tomada em segredo, em uma audiência realizada a portas fechadas na quarta-feira (1).

Em entrevista à BBC Persa, o irmão da vítima criticou a decisão: "Isso não é um júri, é apenas um espetáculo. A mídia deveria estar lá, nós deveríamos estar lá, os advogados deveriam estar lá."

O caso é visto como um divisor de águas no Afeganistão por levantar uma discussão sobre a situação das mulheres afegãs e por mover uma série de protestos. Cerca de 3.000 pessoas foram às ruas da capital após o crime, segundo o Guardian. Durante o funeral da jovem, várias mulheres carregaram seu caixão - a tarefa é reservada aos homens nos funerais no país.

A pena de três homens foi reduzida a 20 anos. O quarto condenado passará dez anos na cadeia. Segundo a agência independente Tolo News, o vigilante de um santuário, que inicialmente acusou a jovem de queimar o Alcorão, foi absolvido - em um julgamento anterior, ele havia sido condenado à 16 anos de prisão.

No primeiro julgamento do caso, em maio, além dos quatro condenados á morte, outros oito homens foram sentenciados à 16 anos de prisão. Onze policiais também receberam a pena de um ano de prisão, por falharem em seu dever de proteger a estudante. Outros oito policias foram absolvidos.