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30/06/2015 07:38 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Após reunião com Lula, petistas falam em "virar a página"

ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO

Após mais de quatro horas de reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, parlamentares petistas disseram que o ex-presidente afirmou que é "preciso virar a página" da agenda do governo e também em relação às recentes críticas feitas por ele ao partido.

"O presidente chamou atenção que é preciso virar a pagina do discurso político", afirmou o líder do PT no Senado, Humberto Costa. "Temos que esquecer esse discurso de ajuste e passar para a defesa do programa de crescimento, da retomada do emprego e do controle da situação econômica do país", afirmou.

Costa negou que as recentes denúncias envolvendo ministros petistas na Operação Lava Jato tenham sido tema da reunião. "Nós não entramos especificamente em nenhum desse temas", disse.

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães, reforçou que o objetivo do partido é "virar a página" após as críticas de Lula. "Isso é pagina virada. Olhemos para o futuro", afirmou. "Ninguém conseguirá separar PT de Lula, o Lula do PT, o PT de Dilma, e o Lula de Dilma. Essas três coisas são inseparáveis", afirmou.

Guimarães disse ainda que a reunião tentou alinhar as ações da bancada junto ao governo de forma "coletiva". "(precisamos) Enfrentar a oposição com o mesmo radicalismo que eles nos enfrentam", disse. "É claro que precisa mais ter sintonia com a bancada, com o governo e esse é o esforço que eu vou fazer. A bancada é a mais fiel, mas precisa também ser a mais", afirmou.

Anti-vazamento

Para evitar vazamentos do conteúdo da conversa do ex-presidente, os parlamentares tiveram os aparelhos celulares retirados. Todos foram identificados e seriam devolvidos no final do encontro. Lideranças petistas chegaram a defender que a fala de Lula fosse aberta aos jornalistas para evitar justamente que as declarações vazassem.

Em encontro com religiosos neste mês, Lula iniciou uma série de duras críticas ao partido dizendo que tanto ele quanto a presidente Dilma Rousseff estavam "no volume morto" e o PT, "abaixo do volume morto". O conteúdo da reunião com religiosos, que foi fechada, foi revelado pelo jornal O Globo no último dia 20. Depois disso, em outro evento, Lula disse ainda que o partido precisava se reinventar e que "só pensava em cargos".

Lula chegou no início da tarde de segunda-feira em Brasília e teve um encontro com o ex-marqueteiro da campanha de reeleição da presidente Dilma, João Santana, para acertar detalhes do programa partidário do PT que vai ao ar em agosto. Na manhã desta terça-feira (30), Lula tem um café da manhã com o presidente do Senado, Renan Calheiros.

Líder diz não haver motivos para impeachment de Dilma

O líder do PT no Senado, Humberto Costa, afirmou nesta segunda-feira que mesmo após as revelações do dono da UTC, Ricardo Pessoa, não há fatos que justifiquem um pedido do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O petista também defendeu a permanência no governo dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social), citados na delação do empreiteiro.

"Eu não vejo, até o momento, nada que justifique o impeachment da presidente da República. Mesmo essa delação, se ela corresponder à realidade, não há ali questionamento quanto à legitimidade do mandato da presidente", afirmou Costa.

Segundo o petista, "não há hipótese" de as campanhas de Dilma nem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terem sido irrigadas com recursos desviados da Petrobras. "Os nossos adversários na oposição arrecadaram dessas empresas muito mais do que nós. Então por que os recursos que eles arrecadam é um recurso limpo e o recurso que vem para o PT é sempre recurso de propina?", questionou.

O líder do partido também afirmou que seria um "pré-julgamento" afastar os ministros citados por Pessoa. Segundo ele, por se tratar de vazamentos, não há como saber se esses fatos constam mesmo na delação premiada feita pelo empreiteiro. Ele também questiona a veracidade do conteúdo do depoimento do empreiteiro. "Não creio que caiba, neste momento, nenhum afastamento, na medida em que é apenas a palavra de um delator", afirma.

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