ENTRETENIMENTO
29/06/2015 18:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

A história do aborto de Mimi-Ros em ‘Girls', segundo a atriz Gillian Jacobs

Na temporada passada, “Girls” mostrou um aborto e lidou com o assunto com uma franqueza raramente vista na TV americana.

Em uma das cenas mais importantes da série, Mimi-Rose, interpretada por Gillian Jacobs, conta para Adam (Adam Driver) que não pode sair para correr porque fez um aborto. Quando ele dá um piti à la Adam, Mimi-Rose continua calma. “Era menor que uma pérola minúscula”, diz ela. “Não tinha pênis nem vagina.”

Como um todo, o episódio oferece um olhar novo sobre o tema, que é apresentado como uma realidade para muitas mulheres, em vez de uma tragédia melodramática, como costuma acontecer. As indicações para o Emmy estão chegando, e o The Huffington Post conversou com Jacobs sobre a construção da personagem e a representação do aborto na TV.

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O que você pensou quando viu que sua personagem faria um aborto?

Acho que Jenni Konner e Lena Dunham queriam contar um tipo de história diferente no que diz respeito a esse episódio. Acho que foi uma abordagem muito diferente da que normalmente vemos na TV. Sei que Jenni e Lena trabalham com a Planned Parenthood e que a organização ajudou na consultoria da série. Então acho que foi tudo muito bem feito.

Não costumamos ver uma discussão de aborto tão franca na TV.

O sucesso do filme “Obvious Child” com certeza abriu espaço para que mais histórias relacionadas a esse tema surgissem. O filme de Gillian Robespierre e Jenny Slate, parece uma continuação da conversa. Espero, sinceramente, que este espaço continue crescendo para que outras mulheres continuem contando suas experiências.

Você acha mais fácil lidar com esse tópico na TV ou no cinema?

Não sou a pessoa certa para responder! Não estou criando o conteúdo. Mas acho que Jenni Konner e Lena Dunham cavaram um espaço na TV no qual elas conseguem falar abertamente sobre vários tópicos diferentes envolvendo mulheres e questões de direito reprodutivo. Então eu com certeza diria que “Girls” criou um espaço para que essas questões sejam discutidas na TV. E sei como é difícil fazer filmes independentes. Mas espero que com o sucesso de “Obvious Child” e “Girls” mais mulheres tenham essa oportunidade.

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Como você foi parar em “Girls”?

Bom, vai parecer mentira, mas eu estava andando na rua em Nova York e percebi que estava rolando uma gravação. Lá no fundo pensei: “Talvez seja ‘Girls’”. Conheço Lena faz tempo e também conheço Jenni Konner. Logo percebi que era mesmo “Girls”, olhei pela janela e fiz contato visual com Jenni. Ela meio que gesticulou para que eu entrasse.

Aí eu estava no set, dizendo oi para os atores que eu conhecia e que estavam trabalhando aquele dia. Fiquei assistindo pelo monitor com Jenni e ela disse: “Ah, já falaram com você sobre o papel?” Eu respondi: “Do que você está falando?” E ela: “Ah, estamos pensando em você para esse papel!” Saí do set e recebi uma ligação do meu agente, dizendo que “Girls” queria falar comigo sobre um papel, e eu: “Bom, eu sei, porque acabei de sair do set”. Foi uma grande coincidência.

Você tem razão, parece mentira.

Acho que eles já estavam pensando em mim! Não sei, você teria de falar com Jenni e Lena sobre isso. Acho que a decisão já tinha sido tomada quando apareci no set. Acho que só fiquei mais presente na cabeça delas.

Como te apresentaram Mimi-Rose? Ela é terrível com Adam no último episódio em que os dois aparecem juntos.

Em uma das primeiras vezes que ela aparece, ela está fazendo aquela palestra de mentira do TED que Hannah está assistindo no telefone, descrevendo sua filosofia sobre relacionamentos e como relacionamentos românticos criam essas brigas artificiais e muitos dos problemas da vida vêm dos relacionamentos românticos. [Ela diz] que você tem de se separar disso para cuidar bem de si mesma e realmente acredita nisso! A prova é o rompimento abrupto com Adam. Não é como eu acabaria um namoro, mas ela se mantém verdadeira e prefere ficar sozinha. Não quero dizer que ela não possa voltar com Ace em algum momento do futuro. Mas, naquele momento, ela escolhe a si mesma.

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Ela também é um olhar interessante sobre a nova namorada perfeita.

Acho que eles gostaram da ideia de jogar na série uma mulher que era mais bem-sucedida que as outras meninas de seu grupo. Ela não tem tantas dificuldades quanto as outras. Ela tem desafios profissionais, mas, na superfície, ela já avançou muito mais na carreira. E acho que isso naturalmente cria uma insegurança [em Hannah], quando ela se compara com Mimi-Rose.

Você sabe se vai voltar?

Não sei. Disse várias vezes que estou pronta e disposta a voltar. Não faço ideia, mas adoraria... “Community” foi uma montanha-russa. Você sabe, a série foi cancelada, depois voltou, o criado foi demitido e depois recontratado, gente do elenco saiu. “Girls” foi um alívio depois desse drama.

A entrevista foi editada e condensada.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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