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Ciclovia da Av. Paulista é inaugurada; prefeitura de SP testa vetar carros aos domingos

28/06/2015 10:51 BRT | Atualizado 26/01/2017 22:34 BRST
CARLA CARNIEL/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

Liberar ambulâncias e viaturas de polícia, cadastrar veículos de moradores para garantir o acesso e acompanhar carros de hóspedes dos hotéis da região. Esses são alguns dos detalhes do plano da Prefeitura para fechar a Avenida Paulista para carros aos domingos, ação que será testada hoje com a inauguração, após seis meses de obras, da ciclovia no canteiro central.

Em entrevista ao Estado de S. Paulo, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, disse que o "desejo" da gestão Fernando Haddad (PT) "é fazer com que a Paulista seja aberta para o pedestre todos os domingos", criando uma espécie de "Parque Paulista" - a exemplo do que ocorre com o Elevado Costa e Silva, o Minhocão. Moradores da avenida e das ruas do entorno já se organizam para evitar o avanço da ideia sem que sejam ouvidos.

De acordo com Tatto, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) já tem fechado o esquema para permitir o acesso de veículos especiais, que teriam acompanhamento de marronzinhos para garantir a segurança dos pedestres.

"Nossa avaliação é de que eles (carros autorizados) vão chegar mais rápido do que se tivesse carro nas pistas. A vocação da Paulista é menos ‘rodoviarista’, menos para o carro, mais para o pedestre, para o transporte não motorizado e o transporte público", diz. "Minha parte é mais a viabilidade técnica, mas nada impede que a Prefeitura faça eventos sem palco."

Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a Prefeitura e o Ministério Público Estadual prevê que a administração municipal faça três eventos anuais com estruturas montadas na via por ano. Atualmente, os escolhidos são a Corrida de São Silvestre, o réveillon e a Parada do Orgulho LGBT.

Hoje, o fechamento da via será das 10 às 17 horas. A Ciclofaixa de Lazer será montada normalmente, às 7 horas.

Adaptação do comércio

A ciclovia da Avenida Paulista já mudou o comportamento de parte dos setores de comércio, serviços e de novos ciclistas. Prevendo um reflexo no turismo, três unidades do Hotel Ibis das Avenidas Paulista e 9 de Julho e da Rua Vergueiro vão oferecer bicicletas elétricas aos hóspedes.

Segundo a rede de hotéis, a partir de quarta-feira, serão cinco veículos em cada uma das unidades, com a possibilidade de aumentar para 20 a oferta das bicicletas para cada um dos hotéis. O custo para os hóspedes será de R$ 13 por hora. Além das bikes, a rede também vai fornecer capacete e travas.

Novos empreendedores também pretendem tirar proveito da nova ciclovia da cidade. O empresário Danilo Tanaka, de 36 anos, largou a estabilidade do emprego em uma editora para virar um pequeno empresário. Como não tinha dinheiro suficiente para comprar um food truck, investiu R$ 30 mil em uma "food bike".

"Espero que a ciclovia ajude no negócio, porque, com certeza, o movimento de ciclistas e turistas vai aumentar na região", afirmou Tanaka, que tem autorização da Prefeitura para ficar em uma calçada na Avenida Paulista, onde está desde dezembro do ano passado.

Hoje, ele vende 200 hambúrgueres por dia. O preço dos lanches varia entre R$ 14 e R$ 18. O empresário morava no Bresser, na zona leste, mas como conseguiu a autorização para trabalhar na avenida, se mudou para a Rua São Carlos do Pinhal, atrás da Paulista, e todos os dias pedala a "food bike" do apartamento até o local.

Nos últimos dias, ele precisou ir atrás de uma autorização especial para conseguir trabalhar na Avenida Paulista durante a inauguração da ciclovia, porque a Prefeitura não permite que ele trabalhe aos domingos no local.

Outros não estão tão animados com a nova ciclovia. "Poderiam fazer em qualquer lugar, menos na Paulista. Atrapalha demais e vai ter um monte de ciclista atravessando fora do lugar", disse o taxista Nicola Perez, de 35 anos. "Acho uma porcaria, só atrapalha o trânsito e o comércio", afirmou a empresária Magda Francisco, de 50 anos, que afirma ter sido prejudicada por uma ciclovia na frente do seu comércio, em Pinheiros, na zona oeste.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.