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28/06/2015 09:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Dilma Rousseff chega aos Estados Unidos para visita de governo; Entenda o que está em jogo

Montagem/Agência de Notícias

Neste domingo (28), a presidente Dilma Rousseff inicia, nos Estados Unidos, uma visita de quatro dias. A ida de Dilma ao país coloca, de certa forma, fim a um imbróglio diplomático que começou há dois anos, com as revelações de Edward Snowden sobre as atividades de espionagem da agência americana NSA.

Na época, Dilma tinha uma visita de Estado marcada para o mês de outubro. No entanto, diante das denúncias de que as comunicações brasileiras eram espionadas pelo governo de Barack Obama, a viagem foi cancelada. A mandatária também fez severas críticas ao governo americano em seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, em 2013.

"Imiscuir-se dessa forma na vida de outros países fere o Direito Internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre eles, sobretudo, entre nações amigas. Jamais pode uma soberania firmar-se em detrimento de outra soberania. Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos e civis fundamentais dos cidadãos de outro país."

Depois do afastamento, os dois países começaram, neste ano, uma reaproximação, marcada pela vinda do vice de Obama, Joe Biden para a posse da mandatária. Foi durante a Cúpula das Américas, no Panamá, que os detalhes da visita começaram a ser acertados.

Para o o subsecretário-geral Político I do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Antonio da Rocha Paranhos, a espionagem já é página virada entre os dois países. “É importante não tentar requentar esse assunto, que a essa altura já está resolvido entre os dois países. Esse tema foi superado”.

A agenda de Dilma começa por Nova York, onde a mandatária deve se encontrar com empresários e investidores americanos e brasileiros. Ainda na cidade, ela deve participar de um seminário empresarial.

“A visita representa uma importante retomada de contato com as mais variadas vertentes: política, empresarial e com a área de ciência, tecnologia e inovação”, afirmou Paranhos.

Segundo o Estado de S. Paulo, um dos objetivos do governo brasileiro na visita é atrair investimentos e tentar desmantelar barreiras que prejudicam o livre comércio.

Aloizio Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil, afirmou ao jornal que a inovação também está no topo da lista do governo brasileiro. “Trata-se da economia com maior capacidade de inovação, tem muitos laboratórios”, disse.

Depois da agenda econômica em NY, Dilma parte para a agenda política em Washington. Na capital americana, ela vai participar de um jantar oferecido por Obama, e vai almoçar no Departamento de Estado. A presidente também tem uma reunião marcada com o mandatário americano.

Essa reunião, aliás, simboliza uma mudança importante na postura do Brasil com relação à cooperação na área de defesa com os americanos, com aumento na troca de informações sigilosas, expansão de exercícios militares, aproximação das Forças Amadas e ampliação das possibilidades de compra e venda de equipamentos para esse setor. Haverá também a adoção de dois tratados que foram assinados com os EUA em 2010, mas nunca foram postos em prática. A aprovação dos documentos pode ser vista como um dos resultados da viagem de Dilma.

A ida de Dilma aos EUA, no entanto, não configura uma visita de Estado, que geralmente são mais longas e preveem uma série de ritos, mas sim uma visita de governo. De acordo com a BBC, a mudança nos planos foi devido ao fato de que a Casa Branca só tinha datas disponíveis para uma visita de Estado no ano que vem, ano eleitoral tanto no Brasil quanto nos EUA. A presidente vai acompanhada por uma comitiva de 11 ministros, sendo que alguns deles permanecerão com a mandatária apenas durante parte da viagem.

Além dos contatos focados em inovação e educação, os dois países devem anunciar uma acordo na área da Previdência Social que permitirá o reconhecimento recíproco de contribuições feitas por brasileiros nos Estados Unidos e vice-versa. Segundo cálculo do governo americano, isso dará às empresas uma economia de US$ 900 milhões no período de seis anos.

Ainda com Obama , a prioridade será abordar o futuro da relação entre os países. Por isso, os dois mandatários anunciarão a intenção de dobrar o comércio bilateral em dez anos, no momento em que o Brasil olha para além de suas fronteiras em busca de oxigênio para sua economia. Os EUA são o segundo principal parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.

De Washington, Dilma viaja a São Francisco, onde terá uma agenda ainda mais voltada para a inovação. Na Califórnia, a presidente terá compromissos nas universidades de Stanford e Berkeley. Na cidade, Dilma se reunirá com acadêmicos e com representantes de empresas de tecnologia. Dilma também deve visitar as instalações da Google. A visita termina no dia 1º de julho.

(Com informações das agências de notícias)