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27/06/2015 16:11 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Estudo encontra ligação entre o cérebro e o sistema imunológico

UVA Health Systems

Neurocientistas revelaram uma conexão direta até então desconhecida entre o cérebro e o sistema imunológico – uma descoberta que pode ter implicações importantes para o tratamento de doenças como mal de Alzheimer, esclerose múltipla e autismo.

A descoberta foi uma surpresa para Kevin Lee, diretor do departamento de neurociência da Universidade da Virgínia.

“A primeira vez que os caras me mostraram o resultado básico, disse só uma frase: ‘Os livros didáticos terão de mudar’”, disse Lee num comunicado de imprensa divulgado na segunda-feira.

O autor principal do estudo, Jonathan Kipnis, do Centro para Imunologia Cerebral e Glia, da Universidade da Virgínia, ecoou o sentimento.

“Quando descobrimos os vasos linfáticos, ficamos muito surpresos, porque com base nos livros didáticos eles não existem”, disse Kipnis por email ao The Huffington Post.

Ligação direta

Pesquisas prévias sustentavam que não havia conexão direta entre o cérebro e o sistema linfático, mas o resultado da pesquisa, recém-publicada na revista Nature, apresenta um modelo do sistema linfático que inclui o cérebro.

A função do sistema linfático, que trabalha em conjunto com outras partes do sistema imunológico, é transportar a linfa, um fluido transparente cheio de células brancas que ajuda a remover toxinas do corpo. O sistema linfático é conectado a todos os outros sistemas do organismo, e acreditava-se que ele terminasse na base do crânio.

Mas os pesquisadores notaram algo estranho quando olharam no microscópio lâminas contendo as membranas de cérebros de camundongos. Eles viram vasos linfáticos, o que nunca tinha sido observado acima da base do crânio.

brain immune system

Antigo mapa do sistema linfático (à esquerda) e uma nova versão do mapa, atualizada com a descoberta dos vasos linfáticos (à direita)

Por que esses vasos nunca tinham sido vistos antes? Kipnis explica que eles estão “bem escondidos” atrás de um vaso sanguíneo importante que leva aos sínus, em uma área do cérebro cujo difícil acesso dificulta a tomada de imagens.

Embora a observação tenha sido feita em camundongos, acredita-se que a mesma anatomia esteja presente nos humanos.

Novas perguntas

Um próximo passo das pesquisas é determinar como esses vasos podem ter ligação com doenças que envolvem o cérebro e sistema imune, como mal de Alzheimer e esclerose múltipla.

“Acreditamos que esses vasos tenham papel muito importante em todas as doenças neurológicas que têm componentes imunológicos”, disse Kipnis.

Apesar de a descoberta ser preliminar, os pesquisadores esperam que ela abra várias novas possibilidades de tratamento dessas e de outras doenças neurológicas, por meio de terapias que alvejem os vasos linfáticos do cérebro.

Por exemplo, Kipnis explicou que a descoberta poderia ajudar a entender por que grandes pedaços de proteína se acumulam nos cérebros de pacientes que sofrem da doença de Alzheimer. “Achamos que elas se acumulam no cérebro porque não estão sendo removidas de forma eficiente por esses vasos”, disse ele.

Outros membros da comunidade científica expressaram empolgação com a descoberta, mas alertaram que elas ainda não foram replicadas ou confirmadas.

“Com mais pesquisas, as descobertas podem ajudar os cientistas a alvejar inflamações no cérebro, que são um fator importante em vários problemas neurológicos”, disse ao The Guardian James Nicoll, professor de neuropatologia da Universidade de Southampton, na Inglaterra.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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