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26/06/2015 11:40 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

PMs suspeitos de envolvimento na morte da travesti Laura Vermont em SP são soltos e Ouvidoria pede ação do MP

Reprodução/Facebook

Os policiais militares Ailton de Jesus, de 43 anos, e Diego Clemente Mendes, de 22, tiveram os seus pedidos de liberdade provisória aceitos pela Justiça de São Paulo. A decisão aconteceu na última quarta-feira (24), três dias depois dos dois PMs mentirem sobre o episódio que resultou na morte da travesti Laura Vermont, de 18 anos, na zona leste de São Paulo.

O juiz Antonio Maria Patiño Zorz determinou o pagamento de um salário mínimo por cada policial ao determinar a soltura de ambos. Segundo o despacho do magistrado, publicado na íntegra pela Ponte, os dois PMs “são primários” e não há nenhum indício hoje de que os policiais sejam “criminosos costumazes”.

Além do pagamento dos valores, os policiais assumiram o compromisso de não se aproximarem de testemunhas do caso, que está sendo investigado pelo 63º Distrito Policial, na Vila Jacuí, na zona leste da capital. Os policiais foram presos em flagrante no domingo (21), após terem desmontada a versão de que Laura teria se ferido sozinha após uma fuga.

Levantamentos preliminares da Polícia Civil mostraram que, além de mentir e coagir uma testemunha a falar a favor deles, os PMs ainda ocultaram a informação de terem baleado a travesti. Uma testemunha disse ter visto os policiais agredindo Laura momentos antes dela ser encontrada junto a um poste, de onde foi levada a um pronto-socorro, onde morreu.

Em entrevista ao Brasil Post, o ouvidor Julio Cesar Neves, das Polícias do Estado de São Paulo, lamentou a fraude praticada pelos PMs no caso e disse que já foi encaminhado um pedido ao Ministério Público (MP-SP) para que o caso seja acompanhado de perto. “É um caso muito emblemático e deixa clara essa transfobia dos policiais”, disse.

Ouvidoria condena ação de PM que atirou em adolescentes

“Uma ação cinematográfica”. Foi como o ouvidor Julio Cesar Neves definiu a perseguição que resultou em dois adolescentes baleados na terça-feira (23), no Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo. O PM da Rocam abriu fogo contra os jovens, suspeito de terem roubado uma moto minutos antes, depois de ambos estarem já no chão.

“Até ele (PM) deter os suspeitos pode se considerar uma ação de legítima defesa. Mas quando ele abriu fogo contra os dois que estavam no chão, claramente houve um excesso. Pelas câmeras de TV que mostraram a operação dá para ver claramente que um dos suspeitos levanta a mão, e ainda assim o policial dispara quatro vezes”, afirmou Neves.

Setores da polícia e da sociedade defenderam o PM, que foi recolhido administrativamente enquanto o caso é investigado pela Corregedoria da corporação e pela Secretaria de Segurança Pública. Já para Neves, mesmo a alegação de que o policial possui uma ficha exemplar, como já foi mencionado por quem o defende, não o isenta do excesso cometido.

“Mesmo uma ficha de elogios não significa que o policial possa ser juiz de causa naquele momento, condenando e executando uma pena. É algo que transparece quando se vê, nas imagens, que o PM pegou a arma de um dos suspeitos e atirou para o chão, simulando um tiroteio. Ficou claro. Até para quem o defende ficou indefensável”, comentou.

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