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25/06/2015 20:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Uma baleia dentro de outra baleia, que foi comida por um tubarão, é descoberta no Egito

Egypt Environment Ministry

Existe um prato típico do Dia de Ação de Graças, nos EUA, chamado turducken: é um peru recheado com um pato dentro do qual há um frango, todos desossados.

Cientistas no Egito descobriram algo parecido com um turducken pré-histórico, mas em escala colossal: os restos de uma baleia de 40 milhões de anos atrás com outra baleia em seu interior. E os pesquisadores acreditam que as duas baleias foram devoradas depois por tubarões.

A baleia menor encontrada dentro do fóssil do Basilosaurus de 18,28 metros de comprimento pode ter sido um feto.

Mas o basilossauro tinha hábitos alimentares incomuns. Como as orcas de hoje, sabe-se que esse predador antigo e feroz devorava outras baleias; assim, a baleia encontrada dentro de outra pode não ter sido um feto, e sim uma refeição.

A National Geographic informa que o basilossauro tinha mandíbulas tão fortes que era capaz de esmagar o crânio de qualquer baleia que tivesse o azar de chegar perto demais de sua boca.

Os fósseis foram encontrados em Wadi al-Hitan, um local que é Patrimônio Mundial da Unesco e é conhecido também como “Vale das Baleias”, situado no deserto a sudoeste do Cairo.

Segundo o Cairo Post, o ministro egípcio do Meio Ambiente, Khaled Fahmy, disse que os fósseis encontrados incluem as menores vértebras da cauda, sendo assim o único esqueleto completo de basilossauro do mundo.

O Ministério postou uma série de imagens dos fósseis no Facebook:

De acordo com o Cairo Post, a descoberta mais recente no Egito mostra que a baleia de 18 metros de comprimento tinha consumido caranguejos e peixes-serra, além da outra baleia, possivelmente.

Como dentes de tubarão foram encontrados em volta do fóssil, cientistas acreditam que o basilossauro tenha sido devorado por tubarões, possivelmente depois de morto.

Segundo a Universidade Drexel, o primeiro basilossauro foi descoberto na década de 1830 pelo naturalista Richard Harlan, que pensou tratar-se de um réptil marinho. Por isso Harlan lhe deu seu nome, que significa “lagarto rei”.

Apenas mais tarde é que cientistas perceberam que era um mamífero marinho, mas o nome Basilosaurus continuou a ser usado.

Os restos fossilizados de pelo menos dez baleias foram encontradas desde 1902 no Vale das Baleias. A Unesco diz que o vale contém os resquícios da subordem Archaeoceti, que mostram a evolução da baleia de animal terrestre para mamífero marinho:

“Este é o sítio mais importante do mundo para a demonstração dessa etapa da evolução. Ele revela vividamente a forma e a vida dessas baleias durante sua transição.

O número, a concentração e a qualidade desses fósseis aqui é ímpar, assim como sua acessibilidade e localização em uma paisagem bela e protegida.

Os fósseis presentes em Al-Hitan mostam os arqueocetos mais jovens na últimas etapas da perda de seus membros traseiros. Outros materiais fósseis presentes no sítio nos possibilitam reconstruir as condições ambientais e ecológicas da época nesse local.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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