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Policiais militares são presos após mentirem sobre o assassinato da travesti Laura Vermont em SP

23/06/2015 09:08 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Reprodução Facebook

A homofobia e a violência policial seguem fazendo vítimas em São Paulo. Dois policiais militares foram presos no último sábado (20), acusados pela morte da travesti Laura Vermont, de 18 anos, na zona leste da capital. Os PMs tentaram montar uma versão que acabou desmascarada pela Polícia Civil.

Segundo reportagem da Ponte, os PMs Ailton de Jesus, de 43 anos, e Diego Clemente Mendes, de 22, mentiram durante o depoimento e foram presos em flagrante. Laura foi espancada e levou um tiro – fato este ocultado pelos oficiais do 39º Batalhão da Polícia Militar.

Como mostra o último post de Laura em sua página no Facebook, ela saiu na noite de sexta-feira (19) para ir a uma festa. Horas depois, na madrugada de sábado, a travesti foi vista caminhando desorientada e ensanguentada pela avenida Nordestina, na zona leste de SP. Uma viatura da PM foi enviada ao local, e é aí que começam as contradições.

Na versão dos PMs, de acordo com reportagem do SBT, por volta das 5h30 de sábado eles atenderam a uma ocorrência de briga entre duas travestis. Eles teriam se distraído e então Laura roubou a viatura. Pouco adiante, ainda na versão dos policiais militares, a travesti se acidentou, tentou correr e bateu a cabeça em um ônibus e em um poste, onde ficou a espera de socorro.

Os dois PMs ainda disseram ter prestado socorro. Já no pronto-socorro do Hospital Municipal Professor Waldomiro de Paula, Laura não resistiu aos ferimentos e morreu. A família da travesti disse à Ponte que não foram os policiais quem socorreram Laura, mas sim os próprios parentes dela. Lá, o pai da jovem disse que ela “não sabia dirigir”.

Um outro ‘detalhe’ chamou a atenção: Laura tinha levado um tiro no braço, fato não mencionado pelos PMs, que horas mais tarde voltaram à delegacia com uma suposta testemunha, que confirmou a versão dos oficiais. O jovem de 19 anos que prestou depoimento favorável aos policiais militares não mencionou ter ouvido algum tiro.

Policiais civis foram ao local e, após algumas apurações, concluíram que os PMs e a ‘testemunha’ mentiram. Laura foi agredida pelos policiais, que ainda atiraram nela. Na delegacia, o PM Ailton de Jesus assumiu que atirou porque “ela havia apresentado resistência e porque os meios menos letais mostraram-se ineficazes para vencer a resistência e a iminência de injusta agressão”. A ‘testemunha’ confirmou que foi orientada a mentir.

TRANS LAURA VERMONT É MORTA AOS 18 ANOS.Há 10 dias, a trans Laura Vermont lamentava a morte de uma travesti em...

Posted by NLucon on Sábado, 20 de junho de 2015


Os policiais militares foram levados para o Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital. Eles vão responder por falso testemunho, fraude processual e lesão corporal. Não está descartada a possibilidade de ambos serem denunciados pelo homicídio da travesti.

Laura havia lamentado morte de outra travesti

No dia 10 deste mês, por ironia do destino a travesti Laura Vermont havia postado uma mensagem de indignação pela morte de outra travesti.

Mais uma Travesti sendo morta,apenas mais uma para entra na estatisca. E ainda os FDP falando da Trans Crucificada na parada!Acorda pra vida meu povo

Posted by Laura Vermont on Terça, 9 de junho de 2015


Já em sua página no YouTube, há um vídeo do dia 4 de junho que mostra como se deu a sua transição. “Cada dia mais feliz comigo mesma! Sei que minha jornada esta só no começo, mas com calma irei chegar aonde quero chega RS (Nunca deixe de acreditar nos seus sonhos)”, escreveu.

Casos de Homofobia no Brasil em 2014


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