NOTÍCIAS
23/06/2015 21:42 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Câmara quer ouvir 'ex-gays' em debate sobre preconceito

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados debate nesta quarta-feira (23) os problemas enfrentados por ex-gays na sociedade. De autoria do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), a audiência tem o objetivo de explorar o suposto “duplo preconceito” que essas pessoas sofrem.

No requerimento, o deputado alega que os "antigos pares homossexuais dizem agora que eles estavam fingindo, os heterossexuais dizem agora, que eles estão dissimulando”. Para ele, tanto os homossexuais quanto os heterossexuais consideram a população ex-LGBTTs como mentirosos, dissimulados e até mesmo, doentes mentais.

Para debater o tema, o pastor convidou Marisa Lobo, psicóloga que teve o registro no Conselho Regional de Psicologia do Paraná cassado, conhecida por ser uma das principais defensoras da cura gay. A possibilidade de “curar” um homossexual foi a principal marca da polêmica gestão de Feliciano na presidência da CDHM, em 2013.

Autodenominada como psicóloga cristã, Marisa propôs a alteração de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe profissionais da área de oferecer terapia para tratar a homossexualidade ou definir a orientação sexual como doença.

Ao Brasil Post, o deputado negou interesse em ressuscitar a cura gay. "Não sei o que é isso porque não existe doença. Não sei do que você está falando", disse à reportagem. Segundo ele, após ouvir os depoimentos, o colegiado pode criar uma ação para proteger essas pessoas de toda forma de preconceito.

Para a deputada Érika Kokay (PT-DF), essa audiência é um escárnio contra o movimento científico e com a própria construção de direito. “Essa é uma forma envergonhada de resgatar a cura gay. Algo anacrônico e medieval. É uma busca da ribalta pelo pastor, mas uma ribalta macabra, em cima da crueldade.” A deputada explicou que foi contra o requerimento, mas ele foi aprovado porque a maioria da comissão “é uma expressão do fundamentalismo”.

Além da psicóloga, o deputado convidou “ex-gays” que fazem campanha nas redes sociais em favor de Marisa. Raquel Beraldo e Samuel Beraldo engrossaram o coro em defesa da psicóloga no ano passado. A campanha #ApoiamosMarisaLobo contou com uma foto do casal com os dizeres: “Minha esposa é ex-lésbica. E somos muito felizes”.



A campanha em favor da psicóloga ocorreu principalmente na comunidade Ex-gays no Facebook. Como diz a descrição, “a página foi criada para publicar testemunhos de pessoas que foram libertas pelo poder de Deus e que hoje estão restauradas”.

Confira a lista de convidados confirmados para a audiência:

Joide Pinto Miranda - pastor conferencista e escritor;

Marisa Lobo- psicóloga especialista em saúde mental e filosofia de direitos humanos, escritora e conferencista;

Raquel Celeste Vasconcelos Guimarães - estudante de psicologia e radialista;

Robson dos Santos Alves - pastor, cantor evangélico e conferencista;

Ana Paula Eusébio Cavalari Alves - missionária

Arlei Lopes Batista - pastor, professor e radialista;

Thiago Oliveira - estudante de teologia.

Mais polêmica

A polêmica e a perseguição do Pastor Marco Feliciano com relação aos temas gays não param por aí. Está em análise na CDHM um outro requerimento do deputado para discutir a Resolução nº 11, de 18 de dezembro de 2014, da Secretaria de Direitos Humanos, da Presidência da República, que permite a inclusão dos itens "orientação sexual", "identidade de gênero" e "nome social" nos boletins de ocorrência.

O mesmo requerimento também quer debater a Resolução nº 12, de 16 de janeiro de 2015, da SDH, que garante acesso e permanência de travestis e transexuais -- e todas aquelas que tenham sua identidade de gênero não reconhecida em diferentes espaços sociais -- nos sistemas e instituições de ensino, formulando orientações quanto ao reconhecimento institucional da identidade de gênero e sua operacionalização.

Na justificativa, o pastor diz que as normas "foram publicadas sem que fosse realizada qualquer consulta pública à população brasileira e à marginalidade da lei".