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22/06/2015 14:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Senadores brasileiros que foram hostilizados na Venezuela teriam sido avisados que não seriam acompanhados pela embaixada

Montagem/Estadão Conteúdo/FIickr

Os senadores brasileiros que foram à Venezuela na quinta-feira (18) haviam sido avisados previamente pela diplomacia brasileira que o embaixador Rui Pereira não iria acompanhá-los nas atividades previstas em Caracas.

A comitiva da Comissão de Relações Exteriores do Senado queria visitar opositores do governo Nicolás Maduro, mas não conseguiu chegar ao presídio onde está detido Leopoldo López e retornou ao Brasil no mesmo dia.

Os integrantes da comissão, comandada pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), querem convocar Pereira para prestar esclarecimentos ao Congresso e cobrar o "abandono" da comitiva. Os parlamentares acusaram o governo Maduro de deliberadamente ter provocado o trânsito que bloqueou o caminho da comitiva e reclamam da falta de assistência da diplomacia brasileira. Por sua vez, o Executivo venezuelano e políticos chavistas atacaram as intenções políticas da missão brasileira.

Representantes da organização da viagem relataram ao jornal O Estado de S. Paulo que os senadores foram previamente avisados de que o embaixador brasileiro iria recebê-los no aeroporto, mas não acompanhá-los em Caracas. Por isso, consideram injusto dizer que a comitiva "foi jogada aos leões".

A decisão foi tomada para evitar ruídos diplomáticos entre os governos brasileiro e venezuelano e comunicada por Pereira ao Ministério das Relações Exteriores. Pereira também informou pessoalmente o ministro diplomata Eduardo Saboia, assessor da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que se deslocou para Caracas na véspera do desembarque dos parlamentares.

Na agenda da comitiva, estavam previstos encontros com os principais líderes opositores ao governo local: além de López, Antônio Ledezma, que também está preso, e o governador de Miranda, Henrique Capriles.

Bate-boca

A visita a Capriles já provocou bate-boca entre Aloysio e o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o petista criticou os senadores por não programarem uma visita a Capriles, considerado um opositor mais moderado que López e Ledezma. O tucano chamou Garcia de "mentiroso" e disse que o encontro estava agendado "e só não se deu em razão da agressão teleguiada pelo governo de Maduro que mereceu, aliás, viva reprovação do governador Capriles".

Ontem, Aloysio também divulgou nota para reafirmar "parte da responsabilidade" de Pereira no episódio em Caracas, criticar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e reclamar que mesmo o diplomata indicado para acompanhar a comitiva também acabou não assessorando os parlamentares.