COMPORTAMENTO
16/06/2015 14:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Pais de paciente com síndrome de Dravet usa cannabis no tratamento e quer liberação do plantio da maconha

MARTIN BERNETTI via Getty Images
A member of the Daya Foundation, a local non-profit organization, trims a cannabis plant at a lab in Santiago on April 7, 2015. Chile's congressional health committee approved a bill Monday that would legalize the cultivation of marijuana for private recreational or medicinal use, sending it to the floor for a full debate. The bill would take marijuana off the list of hard drugs in the socially conservative country and make it a soft drug like alcohol. It would allow people over the age of 18 to grow up to six cannabis plants for their own use, or for use by minors if they are patients using the substance as part of a prescribed treatment regimen. AFP PHOTO / MARTIN BERNETTI (Photo credit should read MARTIN BERNETTI/AFP/Getty Images)

Pais de pacientes que usam cannabis para tratamento querem a permissão para o plantio de maconha. A defesa foi feita durante o fórum "Visões Interdisciplinares da Maconha: Evidências, Valores e Fantasias", realizado entre os dias 11 e 12, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Clárian, de 11 anos, nasceu com síndrome de Dravet, uma doença genética rara que causa crises epilépticas e atraso no desenvolvimento psicomotor. Diante da ineficácia dos tratamentos e medicamentos disponíveis, a mãe de Clárian, Maria Aparecida Carvalho, encontrou uma alternativa no canabidiol, uma das substância presentes na maconha. Com o uso, as crises de Clárian diminuíram de uma média de 16 para duas por mês.

O tratamento de Clárian foi permitido com a retirada do canabidiol da lista de substâncias proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início deste ano, o que permite a importação do produto.

Mas Maria Aparecida critica a burocracia e o preço para que isso possa ser feito. Segundo ela, cada seringa com o óleo necessário para o tratamento custa US$ 500 - e Clárian necessita de três por mês. "Não temos tempo a perder, as crises não esperam. Se existe uma planta e é possível cultivá-la, não faz sentido não existirem políticas que permitam o cultivo para fins medicinais e pesquisas no Brasil", disse Maria Aparecida, membro da Associação de Pacientes de Cannabis Medicinal.

O canabidiol é um entre tantos outros componentes presentes na planta da maconha, os chamados canabinoides. Segundo especialistas, os potenciais terapêuticos destas substâncias são grandes. Elas podem funcionar como anticonvulsivos, analgésicos, anti-inflamatórios, estimulantes de apetite, antidepressivos, ajudar no tratamento do câncer e diminuir os efeitos colaterais de quimioterapia.