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16/06/2015 14:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Vítima de intolerância religiosa, menina de 11 anos é apedrejada na saída de culto de candomblé no Rio

Montagem/Reprodução Facebook

Uma menina de 11 anos foi ferida com uma pedra na cabeça ao deixar um culto de candomblé na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, K.D.T. foi vítima de intolerância religiosa por supostos evangélicos. Com a pedrada, a jovem chegou a desmaiar e perder momentaneamente a memória.

A avó da menina, Kathia Coelho Maria Eduardo, conhecida como Vó Kethi, afirmou ao jornal Extra que o grupo foi atacado por dois homens, que de longe gritavam ofensas à religião de origem africana. "Quando viram várias pessoas vestidas de branco, começaram a insultar, gritando que a gente ia 'queimar no inferno' por ser 'macumbeiro'".

A avó relatou que os agressores subiram em um ônibus e fugiram após acertarem a criança, que havia sido iniciada no candomblé há quatro meses.

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro (CCIR-RJ) disse estar acompanhando o caso. "Nossa prioridade é que a polícia identifique e prenda os responsáveis. Depois, que as lideranças evangélicas se posicionem e falem abertamente sobre isso. O silêncio deles é prejudicial, faz essas pessoas acharem que estão fazendo a coisa certa", diz Ivanir Santos, interlocutor da CCIR. "Não dá pra dizer é um fato isolado. É uma atitude que não é religiosa, é de violência e perseguição, e está acontecendo debaixo do nosso nariz", completa.

Uma das responsáveis pela educação religiosa da vítima, Yara Jambeiro, estava inconformada. "Que mundo é esse que estamos vivendo? Não se respeita nem criança?”, questionou ao jornal O Dia

A família registrou o caso na 38ª Delegacia de Polícia (Brás de Pina, na zona norte) como lesão corporal e prática de discriminação religiosa. Policiais buscam câmeras da região e dos ônibus que passavam que tenham flagrado o crime.

Líder em intolerância religiosa

O estado do Rio de Janeiro lidera em número de casos de discriminação religiosa. De acordo com levantamento da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, foram registradas 39 queixas por meio do Disque 100 apenas no ano passado.

O estado ultrapassou São Paulo no topo da lista. Os registros paulistas caíram entre os dois anos, de 50 para 29, enquanto o índice do Rio se manteve o mesmo. O índice nacional também caiu: de 231 para 149.

(Com informações Estadão Conteúdo)

CORREÇÃO: Ao contrário do que dizia o texto, a avó da vítima não disse que os agressores era evangélicos. Essa informação partiu de testemunhas do crime, segundo nota do Estadão Conteúdo, que também serviu de base para esta matéria. O texto foi atualizado às 20h08 desta quinta-feira (18).