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Luciana Gimenez enquadra Marco Feliciano sobre Pai-Nosso e o Estado laico no Congresso Nacional (VÍDEO)

16/06/2015 11:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

O deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) tentou explicar o ato promovido pela Bancada Evangélica na semana passada na Câmara, quando uma sessão foi paralisada para a reza de um Pai-Nosso. O que ele não esperava era ser enquadrado pela apresentadora Luciana Gimenez, do programa SuperPop, da Rede TV!, na noite desta segunda-feira (15).

Durante o debate entre Feliciano, Luciana e o convidado Felipeh Campos, surgiu a pergunta da apresentadora sobre a atitude de parlamentares em paralisarem os trabalhos para rezar. “Isso não é errado? Por que, assim, o Estado tem de ser neutro, não é?”, questionou ela.

“É, ele é laico, mas não é laicista”, respondeu Feliciano, tentando esclarecer que um Estado laico significa permitir o culto de todas as religiões.

“Certo, mas pera: ali tem pessoas que são budistas, pessoas que são do candomblé, pessoas que não acreditam em nada, aí você para todo mundo para rezar um Pai-Nosso, agora para todo mundo para bater um tambor...”, seguiu questionando Luciana. “Na igreja é pra discutir religião. No Congresso, uma pessoa pode dizer ‘ele não me representa’. Quer dizer, ali é para discutir leis, e não pra discutir religião”, seguiu a apresentadora. Visivelmente incomodado, Feliciano procurou dar a sua visão.

“No Congresso é lugar de manifestação, de gritar o que se pensa e defender leis”, comentou, comparando em seguida a oração da Bancada Evangélica a outros atos registrados recentemente na Câmara, como um ‘panelaço’ promovido por petistas. A argumentação não convenceu Luciana, que insistiu.

“Mas ali é uma manifestação política...”, rebateu, ouvindo de Feliciano que ela “não o deixava falar”. “Como você tolhe o desejo de 400 pessoas em, ao invés de bater panela, ao invés de cantar um pagode, ao invés de levantar carteiras de trabalho, resolveram rezar o Pai-Nosso, que é uma oração universal?”, afirmou o deputado, exaltando que o plenário “ficou em silêncio”.

“O Estado é laico, mas não é ateu”, complementou Feliciano, relembrando que existe um crucifixo na Câmara. “E o ateu?”, perguntou Luciana. “É, o ateu nesse ponto fica de lado”, reconheceu o parlamentar, que seguiu a sua defesa de um Estado laico, favorável a todas as religiões, atacando o laicismo, “adotado em países comunistas da Europa”.

“Deixa eu entender: as pessoas do candomblé podem chegar lá e bater o seu tambor?”, questionou Luciana, ao que Feliciano assim respondeu: “Claro, se quiserem, se tiverem número para isso. Não sei se vão chamar a atenção. Nós chamamos porque chegamos em 400 deputados”, sentenciou Feliciano.

Evangélico, o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse na semana passada que “não podia fazer nada” para impedir o ato dos parlamentares da Bancada Evangélica.

Em comum, Cunha, Feliciano e o pastor Silas Malafaia deram e entender, em entrevistas diferentes, que não é possível ‘calar a maioria’. É o que defendeu o ex-candidato à Presidência da República Levy Fidelix (PRTB) em 2014. É o que defende a Bancada Evangélica e a Bancada da Bala em 2015.

A entrevista completa de Feliciano - na qual ele também falou sobre 'Cristofobia' e outros temas - você pode assistir abaixo:

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