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15/06/2015 10:05 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Organização da Parada Gay de SP quer que MPF investigue deputados da Bancada Evangélica após protesto na Câmara

Montagem/Reprodução Facebook

Organizadores da Parada Gay de São Paulo prometem denunciar nesta semana, junto ao Ministério Público Federal (MPF), as manifestações de deputados federais da Bancada Evangélica contra o evento LGBT, realizado no último dia 7 na Avenida Paulista.

Em nota divulgada no sábado (13), a Associação da Parada do Orgulho LGBT (APOGLBT) defendeu a manifestação da travesti Viviany Beloboni, que encenou a crucificação de Jesus Cristo, como uma forma de protesto contra “a crucificação diária vivida” pelos homossexuais em todo o Brasil.

“A APOGLBT não considera a intervenção uma desmoralização aos cristãos como querem alguns, o que vimos foi o retrato do abandono social que vivem as pessoas transgêneros no Brasil”, diz a nota, que critica abertamente o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), o qual teria sido ‘mal intencionado’ ao usar imagens que não eram da Parada Gay de SP em seu protesto nas redes sociais.

“Exigimos do Poder Judiciário Federal que estes parlamentares sejam investigados por incitação ao ódio e desrespeito explícito ao Estado Laico. A Parada do Orgulho LGBT não busca em suas manifestações ofender a nenhum segmento da sociedade. É evidente a manipulação das imagens e informações com o objetivo de tirar o foco da luta pelos direitos da população LGBT”, completa o comunicado.

CARTA ABERTA À SOCIEDADE No último domingo (7), tivemos a maior Parada LGBT do mundo na Avenida Paulista, em São...

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Especificamente sobre o ato de Viviany, a APOGLBT declarou que “não tinha conhecimento prévio” da manifestação, mas apoia amplamente não por representar Cristo, mas sim parcelas da população que “são crucificadas diariamente, sendo assassinadas, sofrendo agressões físicas, morais, psicológicas e de direitos”.

A Coordenadoria da Visibilidade de Travestis e Transexuais da Parada de São Paulo, vem por meio deste apoiar o ato da...

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Para o presidente da APOGLBT, Fernando Quaresma, tudo o que a Bancada Evangélica vem fazendo não passa de uma ‘jogada suja’. “Eles usaram imagens antigas, de eventos como a Marcha das Vadias do rio em 2013, para levar a população geral ao erro da interpretação, incentivar o boicote de patrocinadores e tentar inviabilizar nossas próximas manifestações”, disse ao jornal Folha de S. Paulo.

Na semana passada, deputados evangélicos entraram com uma outra ação no MPF, esta pedindo a apuração de eventuais irregularidades envolvendo a Parada Gay de SP. Há quem defenda a proibição de que o evento volte a acontecer, decisão que pode então valer para outros Estados que também realizam a parada.

Em SP, Alesp instala a maior bancada evangélica da história

Na última sexta-feira (12), uma cerimônia marcou a instalação da Frente Parlamentar Evangélica na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Com 13 membros titulares e o apoio de 28 parlamentares, o grupo possui uma ampla diversidade de partidos e já iniciou os trabalhos com a promessa de combate ao que o coordenador da frente, deputado Carlos Cezar (PSB), chamou de “vilipendiar a nossa fé”.

Além de Cezar, são membros titulares da frente os deputados Adilson Rossi (PSB), André Soares (DEM), Caio França (PSB), Celso Nascimento (PSC), Cezinha de Madureira (DEM), Coronel Telhada (PSDB), Gil Lancaster (DEM), Gilmaci Santos (PRB), Marcos Neves (PV), Marta Costa (PSD), Paulo Correa Jr. (PEN), Rodrigo Moraes (PSC) e Wellington Moura (PRB).

Adilson Rossi comentou, durante a cerimônia, que a frente “defende um segmento da sociedade que hoje constitui 30% da população do Estado” e que “a Igreja de Cristo tem sido afrontada por ativistas, mas não nos intimidaremos diante da pressão”. O tom também foi de repúdio contra a discussão acerca do ensino da ideologia de gênero nas escolas do Brasil, que “quer destruir a família”, de acordo com Celso Nascimento.

Mais ênfase ao discurso deu o Coronel Telhada, que pregou a necessidade de ‘temer a Deus’. “Vamos agir com coragem, fé e legalidade para trazer o Brasil de volta a um lugar de onde ele nunca deveria ter saído, o que só aconteceu por falta de temor a Deus”, afirmou.

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