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12/06/2015 13:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Eduardo Cunha despista sobre candidatura à Presidência em 2018 e diz que 'nada pôde fazer' em ato da Bancada Evangélica

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), concedeu algumas entrevistas a rádios de São Paulo na manhã desta sexta-feira (12). Em comum, o parlamentar falou muito sobre a sua atuação no Congresso Nacional e no próprio PMDB, algo que ele faz com frequência. Mas houve alguns temas nem tão esclarecidos, os quais foram abordados.

Em entrevista à rádio Jovem Pan, respondendo a uma pergunta do historiador Marco Antônio Villa, Cunha respondeu sobre a possibilidade de ser candidato à Presidência da República nas próximas eleições, em 2018.

“Não sou candidato a nada (...). A razão para estar acontecendo esse meu protagonismo é por eu estar cumprindo o que prometi na campanha (à Presidência da Câmara). A gente tem que aprender a viver o momento como ele é. Depois, o que pode acontecer no futuro, não dá para fazer qualquer tipo de papel dessa natureza pensando em ambições”.

Anteriormente, o peemedebista sugeriu o nome do prefeito do Rio, Eduardo Paes, como um bom nome do partido para o Palácio do Planalto. Certo mesmo, na opinião de Cunha, é que o PMDB deve e irá lançar um nome próprio para o próximo pleito presidencial. “Certamente o PMDB vai buscar o seu caminho próprio (...). Não vejo o PMDB junto ao PT em 2018”.

O presidente da Câmara ainda abordou, em entrevista à Jovem Pan, a situação da reforma política – “deputados votaram pela manutenção do sistema atual” – e disse que tudo o que está sendo votado, incluindo pautas polêmicas como a redução da maioridade penal, “já deveriam ter sido votadas há tempos” e que “atendem ao interesse da população”.

Evangélico, Cunha ainda rebateu as acusações de que foi permissivo à Bancada Evangélica nesta semana, quando dezenas de parlamentares pararam uma sessão para protestar contra a Parada Gay de São Paulo e rezar um Pai-Nosso. A situação foi, de acordo com o deputado federal Roberto Freire (PPS-SP), uma afronta ao Estado laico previsto na Constituição.

“Não tenho condição nenhuma de censurar um grupo de parlamentares. Já assisti várias manifestações que tive de interromper, porque é impossível você concorrer com o microfone com 50 deputados falando (no plenário). Essa manifestação ocorreu porque o líder do PSD, deputado Rogério Rosso, estava na tribuna e ele conduziu a manifestação. Eu não teria condições nenhuma de impedir (...). Defendo a tese do Estado laico, mas as pessoas não são laicas”, comentou, em fala semelhante ao que disse ao jornal Folha de S. Paulo o pastor Silas Malafaia.

Votação da maioridade penal será fechada ao público

Mais tarde, à rádio Estadão, Cunha disse que a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 171/93), que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, será votada na próxima semana na Comissão Especial da Câmara sem a presença do público. A meta é evitar a repetição da confusão registrada nesta semana, quando manifestantes foram reprimidos pela polícia legislativa.

O deputado negou que esteja negociando a aprovação de um texto alternativo e afirmou que a sua opinião é favorável à redução. “Eu discuto a isonomia. Aquele que pode votar aos 16 anos também tem de ter obrigação. Defendo isonomia”, comentou.

Cunha avaliou que a necessidade de fechar sessões se dá com a presença de “pessoas que invadem, ou não exercem o direito democrático, da forma como manda o decoro”, e que não se trata de censura. “Tudo aquilo que foi para agredir o patrimônio público ou deputados foi objeto de atitude semelhante. É o que vou fazer na comissão da maioridade para permitir que a expressão daqueles que são representantes do povo seja exercida em plenitude”.

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