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11/06/2015 16:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Genética ou criação? Este debate pode finalmente ser resolvido

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É um debate travado há muitos anos: nossos genes nos fazem ser quem somos, ou é o ambiente em que fomos criados?

Existe um consenso há muito tempo de que tanto os fatores inatos quanto os adquiridos exercem algum papel na determinação de muitos de nossos aspectos físicos e mentais, desde altura e peso até inteligência e disposição.

Mas os cientistas parecem nunca ter chegado a um acordo quanto a qual dos dois fatores exerce papel maior em nossa formação.

Essa discussão pode ter terminado agora, graças a uma análise ampla feita de estudos conduzidos há mais de cinco décadas em todo o mundo.

Envolvendo mais de 14,5 milhões de pares de gêmeos de 39 países, a análise apontou para um empate entre a natureza e a criação. Ou seja, os genes e a criação exercem influência igual sobre todas nossas características.

“Eu diria que isto resolve a discussão”, disse ao Huffington Post em e-mail a professora Danielle Posthuma, geneticista estatística na Vrije Universiteit Amsterdam. Ela foi uma das pesquisadoras que trabalhou no estudo.

Como o estudo foi traçado

Posthuma e seus colegas fizeram uma revisão de 2.748 estudos sobre gêmeos publicados entre 1958 e 2012, analisando mais de 17 mil características.

Os estudos compararam as variações entre gêmeos idênticos, que apresentam todos os genes iguais, com as diferenças entre gêmeos fraternos, que têm metade de seus genes iguais aos do irmão gêmeo.

A pesquisa avaliou características físicas (como peso, altura e metabolismo) e psicológicas (como temperamento/personalidade, inteligência e a probabilidade de sofrer de ansiedade ou depressão).

Os pesquisadores constataram que, em todas as características, a média do que podia ser herdado – ou seja, a quantidade de variação atribuível a diferenças genéticas – foi de 49%.

Fatores ambientais e/ou erros de medição foram responsáveis pelos outros 51%. Também constataram que no caso de cerca de dois-terços das características, a variação genética era aditiva – ou seja, resultante do efeito cumulativo de muitos genes.

Algumas características mostraram ser mais herdáveis que outras. Por exemplo, ficou claro que a fenda palatina é 98% herdável; o risco de apresentar transtorno bipolar, mais ou menos 70% herdável.

O próximo passo.

Os pesquisadores esperam que sua pesquisa proporcione aos cientistas um recurso para entender como certos transtornos podem ser herdados e que ajude a guiar projetos futuros de mapeamento do genoma.

Eles criaram uma ferramenta online chamada MaTCH, com a qual os usuários podem descobrir até que ponto uma característica específica pode ser herdada.

“No caso de algumas características – por exemplo comportamento antissocial ou autismo --, antigamente se pensava que o ambiente (como a pessoa foi criada) exercia um papel maior (o autismo, por exemplo, era atribuído às mães emocionalmente frias)”, disse Posthuma em e-mail.

“Acho que o fato de saber que uma característica é influenciada por genes pode ajudar na compreensão do transtorno.”

A análise foi publicada online no periódico Nature Genetics em 18 de maio de 2015.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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