LGBT
10/06/2015 09:40 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:25 -02

Após aumento da isenção às igrejas, deputados da Bancada Evangélica falam em defender a ‘família' no Dia do Pastor

Montagem/Estadão Conteúdo

A Bancada Evangélica do Congresso Nacional se envolveu em polêmicas nos últimos dias. Primeiro, recebeu ‘um presente’ com a proposta de aumento da isenção fiscal às igrejas. Depois, bateu forte ao criticar a Parada Gay do último fim de semana. Mas a semana um tanto esvaziada na Casa abriu espaço para que os deputados federais pudessem defender o conservadorismo na política.

Em uma sessão solene realizada nesta terça-feira (9) na Câmara, o foco foi o Dia do Pastor, celebrado pelos evangélicos em todo segundo domingo de junho. Em comum nos discursos, o entendimento dos parlamentares da Bancada Evangélica de que pastor não é uma ocupação profissional, mas sim uma vocação. E também de que o foco de todos é “defender a família”, a qual para eles só pode ser formada por um homem e uma mulher.

“Assumo solenemente com pastores de todo o Brasil o compromisso da bancada evangélica, neste Congresso, de lutar incansavelmente por uma pauta conservadora que proteja os valores da família e preserve os valores cristãos”, disse o deputado Antônio Jácome (PMN-RN), filho de pastor e autor da iniciativa de realizar a homenagem ao Dia do Pastor.

Outros discursos sobre os pastores do Brasil e suas atuações seguiram pelo mesmo caminho. Separamos alguns deles, uns vindos de parlamentares que também são pastores. Há passagens no mínimo curiosas.

“Maldito aquele que transforma a sua vocação em profissão. Talvez por isso, nós temos tantos dissabores em nossa Nação e em outras quanto a esse assunto. Mesmo assim, aqui no nosso País, por enquanto, ainda dá para ter orgulho dessa nobre atividade” – Marco Feliciano (PSC-SP).

“Jesus Cristo é o modelo do verdadeiro pastor e todos nós seguimos os passos de Jesus e queremos, sim, ser esse pastor ideal. Muitas vezes não conseguimos porque somos falhos, somos humanos” – Ronaldo Fonseca (Pros-DF).

“A igreja e seus pastores são muito importantes para a melhoria do quadro social brasileiro” – Eliziane Gama (PPS-MA).

“Homenagear o pastor é homenagear aquele que cuida de vidas, famílias e que prega para libertação e ensina o caminho para a vida eterna” – Marcos Rogério (PDT-RO).

“O pastor é uma figura singular, com um ofício extraordinário e de extrema relevância na vida das pessoas. Sua função transcende a de qualquer o político, pois nós conduzimos as pessoas no plano transcendental da vida eterna” – João Campos (PSDB-GO).

“Pastores de todo o Brasil têm somado para o bem da Nação. Não recebem um centavo de erário público, mas são eles e suas igrejas que fazem um trabalho brilhante na recuperação de vidas, em especial dos usuários de drogas e álcool – Pastor Eurico (PSB-PE).

“Em ocasiões assim, refletimos um pouco mais a respeito da vida e obra desses guerreiros que, por muitas vezes, trocam as noites pelos dias para rogar a Deus a proteção de suas congregações” – Professor Victório Galli (PSC-MT).

“Uma característica fundamental é o princípio da autoentrega. Outra é a preocupação com os outros. Assim como Jesus, o pastor sente compaixão pelo sofrimento alheio e vai ao encontro dos necessitados” – Ronaldo Nogueira (PTB-RS).

“Na comunidade onde os curtos braços do Estado não chegam, o pastor é o assistente social, pois cuida das pessoas e promove obras sociais que permitem a inclusão das pessoas” – Ronaldo Martins (PRB-CE).

As duas melhores e que resumem o pensamento reinante nós deixamos para o final.

“Sem esposa não tem pastor. Ela é sem dúvida nenhuma a principal coluna de sustentação de qualquer ministério pastoral e também de qualquer homem” – Silas Câmara (PSD-AM).

“(Os pastores são responsáveis pela execução de relevantes funções), cabendo-lhes orientar, aconselhar, acolher, edificar, ensinar e, sobretudo, conduzir e manter cada uma de suas ovelhas nos caminhos de Deus” – Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em mensagem enviada do exterior.

Como se vê, as forças progressistas e que defendem a igualdade de gênero no Brasil não terão vida fácil no Congresso, pelo menos até 2018.

(Com Agência Câmara)

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