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09/06/2015 12:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:24 -02

Professores do Paraná decidem pelo fim da greve após 44 dias; Justiça rejeita ação contra supostos ‘black blocs'

GEL LIMA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

Em votação realizada na manhã desta terça-feira (9), os professores do Paraná decidiram pelo fim da greve que já durava 44 dias no Estado. O fim da paralisação já era esperado, uma vez que 23 dos 29 núcleos da categoria já sinalizavam pelo término da greve – a segunda em 2015, totalizando 73 dias de braços cruzados.

A assembleia, promovida pela APP-Sindicato, entidade que representa os docentes paranaenses, reuniu cerca de 10 mil pessoas no Estádio Vila Capanema, em Curitiba. O presidente Hermes Leão pregou o fim da greve, porém não ao combate a um governo “tirano e ditador”, como definiu a gestão de Beto Richa (PSDB).

Pela Educação Pública, em respeito aos(às) nossos(as) estudantes, dizemos aos paranaenses que a greve está encerrada. A luta continua no chão de nossas escolas. #alutacontinua #eutônaluta

Posted by APP-Sindicato on Terça, 9 de junho de 2015


Na tarde desta terça-feira, os deputados estaduais votam na Assembleia Legislativa (Alep) a mais recente proposta do governo para a categoria: reajuste de 3,45% em uma parcela – cobrindo a inflação do período entre maio e dezembro de 2014 –, em outubro deste ano. Com a inflação de 2015 sendo zerada em janeiro de 2016, as perdas só serão pagas em janeiro de 2017, com o adicional de 1% aos servidores estaduais.

Os professores consideram a proposta a ser votada nesta terça-feira “longe do ideal” para a categoria, mas a ideia é não “abusar do apoio popular” recebido pela paralisação. A meta é repor todas as aulas e encerrar o ano letivo até o Natal deste ano.

Acusados de serem ‘black blocs’ não cometeram crimes

Tanto Beto Richa quanto o seu ex-secretário de Segurança, Fernando Francischini, acusaram ‘black blocs’ por toda a confusão que ocasionou o massacre de professores no dia 29 de abril, no Centro Cívico, em Curitiba. Porém, depois de professores negarem a versão, acompanhando a Defensoria Pública estadual e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), foi a vez da Justiça descartar as acusações.

O juiz Marcel Luis Hoffmann, do 2º Juizado Especial Criminal de Curitiba, arquivou o termo circunstanciado envolvendo estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), detidos no dia da repressão policial e acusados de serem black blocs, atendendo a um pedido da OAB e do Ministério Público do Paraná (MP-PR).

“Nada há de registro material quanto a suposta violência ou grave ameaça empregadas, elementos do tipo, a configurar o delito de resistência. O que se descreveu sumariamente foi que os noticiados resistiram “a ação legítima dos agentes, sendo necessária a utilização de força moderada para contê-los” (evento 12.1, fl. 14), mas nada há acerca da espécie de violência praticada em resistência por parte dos noticiados”, escreveu o magistrado, que questiona ainda a legalidade da ação policial que prendeu os estudantes – os quais alegaram terem sido torturados dentro do Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná.

Para o vice-presidente da OAB Paraná, Cássio Telles, a decisão judicial consagra mais uma vez o direito à manifestação, previsto na Constituição. “A sensibilidade do magistrado para o assunto, mandando arquivar liminarmente o termo circunstanciado é uma segura demonstração de respeito à democracia”, concluiu.

O MP-PR promete concluir as investigações acerca do massacre do dia 29 de abril até o fim deste mês. Até agora, quase 300 pessoas foram ouvidas entre vítimas, testemunhas e autoridades policiais. O governo estadual, mesmo instado a prestar esclarecimentos, ainda não repassou as informações pedidas pelos promotores.

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