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03/06/2015 22:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:19 -02

Truvada: O medicamento que pode revolucionar a história da AIDS e está causando processos contra o SUS

Shutterstock / andiphoto

Você já deve ter ouvido falar que mulheres grávidas portadoras do HIV, ao fazerem o tratamento antirretroviral com o coquetel anti-HIV, não transmitem o vírus ao seu bebê. Isso acontece porque o tratamento, colocado em prática desde 1996, reduz a carga viral da mãe a um nível baixíssimo, evitando a contaminação conhecida como Transmissão Vertical, ou seja, a transmissão de gestante para o filho ainda dentro do útero.

Pessoas que sofrem violência sexual, profissionais da saúde que acidentalmente entram em contato com agulhas contaminadas ou até quem acaba transando sem camisinha (ou aconteça de ela estourar), também podem se submeter a um tratamento conhecido como PEP, Profilaxia Pós-Exposição ao vírus, ou seja, depois que o paciente já foi exposto ao risco do contato com o HIV em até 72 horas após o contágio. Estudos realizados pela Universidade de Washington e do Fred Hutchinson Cancer Research Center, em Seattle, mostraram que o risco de contaminação pelo vírus é reduzido em até 92%.

Para todos os casos acima, o governo brasileiro, via SUS (Sistema Único de Saúde), oferece um tratamento gratuito a toda a população brasileira; afinal, ele é obrigado a isso. A lei estabelece que "A saúde é direito de todos e é dever do Estado garantir acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação. (...) E o SUS, entre outras diretrizes, tem o dever de propiciar o atendimento integral, conforme prevê o artigo 198, inciso II da Constituição Federal".

Sabendo disso, vamos falar sobre o Truvada? Recentemente, esse medicamento vem chamando a atenção da medicina e da área científica. Ele é composto por duas drogas já usadas separadamente desde 2004 nos coquetéis anti-HIV, a Emtricitabina e a Tenofovir Disoproxi. Descobriu-se em 2012 que, juntas numa única dose de pílula azul, elas podem evitar o que antes era usado apenas para tratar/remediar. Um estudo publicado pela revista Science Translational Medicine, que pertence à maior sociedade científica do mundo, a Associação Americana para o Avanço da Ciência, revelou que o Truvada é eficaz tanto na Profilaxia Pré-Exposição quanto na Pós-Exposição. Se esse remédio fosse uma pessoa, poderia se apresentar da seguinte maneira para você: "Tô longe de ser a cura para a AIDS, mas posso evitar o contágio pelo HIV durante a transa, mesmo que o seu parceiro sexual seja portador do vírus. Aliás, se o soropositivo for você, o HIV provavelmente não será transmitido para o seu parceiro soronegativo?".

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