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01/06/2015 19:34 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:19 -02

Se você pudesse reviver alguém para um jantar, quem seria? Veja o que Richard Dawkins respondeu

David Levenson via Getty Images
OXFORD, UNITED KINGDOM - MARCH 24: Richard Dawkins Author and evolutionary biologist, poses for a portrait at the Oxford Literary Festival, in Christ Church, on March 24, 2010 in Oxford, England. (Photo by David Levenson/Getty Images)

- Se você pudesse reviver qualquer pessoa da história para um jantar, quem você escolheria?

Foi esta uma das perguntas feitas pela plateia a Richard Dawkins em um debate promovido em São Paulo na semana passada.

- Você esperaria que eu dissesse Charles Darwin, não é? Mas não...

A plateia caiu na risada.

Dawkins é um cruzado às avessas: ateu, dedica a maior parte da sua energia à divulgação do evolucionismo e àluta contra o criacionismo, a teoria do design inteligente e as religiões. Em "Deus, um delírio", de 2007, dedica-se da primeira à última palavra a desconstruir a doutrinação religiosa.

Muitas vezes, suas falas são salpicadas de sarcasmo cortante. Mas, radicalismos à parte, o objetivo de Dawkins é nobre: a separação de religião e estado.

Por isso é engraçado que, entre todos os comensais do mundo, Dawkins tenha escolhido justamente o mais poderoso símbolo religioso da história ocidental...

- Jesus Cristo. Seria muito curioso. Eu adoraria dar a Jesus um exemplar em aramaico de "Deus, um delírio" e, depois, conversar sobre isso com ele.

A plateia caiu na risada novamente, mas Dawkins não pareceu estar brincando. Pelo contrário: demonstrava genuíno interesse em trocar algumas palavras pela figura mais importante de grande parte das religiões ocidentais.

Disse também que adoraria jantar com William Shakespeare, seu conterrâneo, ou por um homem pré-histórico da época em que a linguagem ainda estava sendo inventada.

- Sou intensamente curioso a respeito da origem da linguagem. Linguistas dizem que todas as linguagens ao redor do mundo são, de forma aproximada, igualmente desenvolvidas. Ainda assim, me parece quase inescapável que a linguagem tenha passado por um estágio rudimentar, quando lhe faltavam elementos da nossa gramática. Seria curioso jantar com alguém que se comunicasse assim. "Quero, quero, quero. Comida, comida, comida". Talvez não fosse a conversa mais estimulante, mas certamente seria interessante...