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29/05/2015 10:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:13 -02

Francesa é condenada a 18 meses de prisão e pagará R$ 700 mil por torturar ex-namorado durante um ano

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Uma mulher foi condenada nesta semana a 18 meses de prisão por escravizar e torturar seu ex-namorado durante um ano em Paris. Entre as formas de torturas a que a francesa Zakia Medkour, 43 anos, submetia o ex-namorado Maxime Gaget, de 37 anos, estão queimaduras com cigarro e ferro quente e proibi-lo de usar o banheiro.

O casal se conheceu pela internet em 2007 e, após alguns meses, Gaget mudou-se para o apartamento de 25 metros quadrados de Zakia, em Paris. Na ocasião, Zakia morava com seus dois filhos. Pouco tempo depois, Gaget perdeu o emprego e Zakia escondeu os documentos e cartões de crédito do namorado.

Para impedir Gaget de fugir, Zakia ameaçava denunciá-lo por pedofilia. Ele era obrigado a dormir no chão com temperaturas negativas e as janelas abertas e forçado a beber produtos de limpeza.

Gaget foi resgatado por seus pais, que foram avisados pelo irmão da agressora. Ele foi submetido a oito cirurgias por causa de seus ferimentos. Em março, ele contou ao jornal francês Libération que não foi fácil tornar públicas as agressões. "Não é fácil dizer que apanhou de uma mulher. Mas as mulheres não são necessariamente frágeis, elas podem ser cruéis também."

Além dos 18 meses de prisão, a agressora enfrentará outros 18 meses de liberdade condicional e vai pagar 200.000 euros (quase R$ 700.000) de indenização à vítima. Gaget esperava uma sentença superior a 18 meses, mas aceita o resultado. "Finalmente poderei virar essa página", disse.

Os advogados de defesa culparam o alcoolismo pelas ações da ré. Ela se desculpou pelos abusos: "Não sou uma pessoa sem coração".

O caso levantou um debate na França sobre abuso doméstico contra homens, principalmente depois que Gaget publicou o livro "Ma Compagne, Mon Bourreau" (Minha Companheira, Meu Carrasco, em tradução livre), em que conta suas experiências ao longo de doze meses.

Segundo a rede BBC, casos de abuso doméstico de homens contra mulheres são três vezes mais comuns.