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27/05/2015 14:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:13 -02

"Vejo com muita satisfação", diz filho de Vladimir Herzog sobre prisão de José Maria Marin por corrupção na Fifa

Montagem/Estadão Conteúdo

A família do jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto pela ditadura militar do Brasil nos anos 70, ficou satisfeita com a prisão nesta quarta-feira (27) do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, em um hotel de luxo da Suíça.

“Olha, eu vejo com muita satisfação”, disse ao Brasil Post o filho do jornalista, Ivo Herzog, que antes da Copa do Mundo de 2014 chegou a promover uma petição pela saída de Marin do comando do futebol brasileiro.

O cartola brasileiro é um dos 14 investigados pela Justiça dos Estados Unidos por participar de um esquema de corrupção de US$ 100 milhões (R$ 313 milhões) na Fifa. O que a geração atual pode não saber é o envolvimento de Marin com a política, sobretudo na ditadura militar.

Aliado do regime na época e integrando o Arena (partido criado pelos militares), Marin foi associado à morte de Herzog em 1975 em razão de um discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em 7 de outubro de 1975.

“Quero fazer um apelo ao senhor governador do Estado: ou o jornalista está errado ou então o jornalista está certo. O que não pode continuar é essa omissão, tanto por parte do senhor secretário de Cultura, como do senhor governador. É preciso mais do que nunca uma providência, a fim de que a tranquilidade volte a reinar não só nesta Casa, mas, principalmente, nos lares paulistanos”, disse Marin naquela sessão, que debatia a “presença de membros de esquerda na TV Cultura”.

No dia 25 do mesmo mês, Vladimir Herzog foi preso na sede do DOI-CODI, em São Paulo, torturado e morto por agentes da ditadura militar. Em 2013, Marin negou ter qualquer envolvimento com a morte do jornalista, na época diretor de jornalismo da TV Cultura.

“Há um discurso feito na Assembleia Legislativa em 1975, e que foge totalmente essa parte ao assunto citado pelo jornalista. Nenhuma relação com o nome citado (Vladimir Herzog), e muito menos com o assunto citado”, comentou, em coletiva concedida antes da Copa das Confederações.

Para Ivo Herzog, a satisfação com a prisão de Marin só será completa com a conclusão das investigações da Justiça americana. “É uma etapa. Tem que aguardar para ver se haverá condenação, a Justiça não se pronunciou. Temos que segurar a empolgação”, avaliou, para depois dizer que a detenção do cartola “faz jus” à memória de seu pai.

“É interessante ele (Marin) ser preso e o padrinho político dele, o (deputado federal Paulo) Maluf estar livre, mesmo sendo procurado pela Interpol fora do Brasil. Só aqui ele não é acusado de nenhum crime, então é parecido. Fico satisfeito porque ele (Marin) sempre se safou”, concluiu.

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