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25/05/2015 20:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Eduardo Cunha atropela a comissão e levará a reforma política direto ao plenário

Montagem/Estadão Conteúdo

Após ser adiada três vezes, a votação da reforma política na comissão especial que a analisa foi cancelada e o texto irá direito para o plenário da Câmara dos Deputados. De acordo com o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a decisão atende a um pedido dos líderes. O relator do texto na comissão, Marcelo Castro (PMDB-PI) foi avisado dez minutos antes da sessão começar e ficou indignado.

Segundo ele, o que o presidente quer fazer é aprovar uma reforma que o agrade. “Quando ele viu que o distritão não ia passar, ele recuou”, diz o deputado. Ainda de acordo com Castro, o relatório está pronto há mais de 20 dias, e de lá para cá o presidente da comissão, Rodrigo Maia (DEM-RN) tem adiado a votação.

“Ele tem adiado a serviço do presidente da Casa, tem protelado discussões e a votação, até que na última terça-feira, ele disse para todos ficarmos tranquilos porque ele tinha a palavra de Eduardo Cunha de que o texto não seria avocado ao plenário.”

Nesta segunda-feira (25), entretanto, Castro recebeu a notícia de que outro relatório será levado direto para a análise dos deputados na terça-feira (26).

“Isso é uma completa falta de respeito. Não comigo, mas com os 68 membros da comissão e todas as pessoas que acompanharam e fizeram parte das discussões. Vão fazer em cinco minutos no plenário o que nós fizemos em três meses. Todo acúmulo de conhecimento e informação vai ser jogado no lixo.”

Nos arranjos políticos, um dos entraves para a votação da reforma é a alteração no mandato do senador. Com a unificação da reforma, ele tende a aumentar ou reduzir. Para Castro, os problemas do Senado não deveriam interferir na Câmara. “O Senado é outra instância”, emendou.

Na tarde desta segunda-feira ficou definido que Rodrigo Maia será o relator do novo texto. Ele tem pouco mais de 12 horas para fazer um texto que contemple todos os itens da reforma. Para o deputado Henrique Fontana (PT-RS), não tem como o deputado fazer em poucas horas um texto melhor que o do relator que teve 105 dias.

"Acho um mal começo. Será que algum cidadão concorda com isso? Nunca vi alguém dizer que não votar o texto da comissão é melhor. Isso é claramente uma tentativa de fazer uma reforma de portas fechadas. Vamos apresentar destaques e fazer a nossa defesa. Não vamos fortalecer o financiamento empresarial de campanha e é isso que presidente da Casa quer", emendou.

O pacote de alterações no sistema político trancará toda pauta do plenário esta semana e será votado na seguinte ordem:

- Sistema Eleitoral,

- Financiamento de campanha,

- Fim ou não da reeleição,

- Tempo de mandato,

- Coincidência ou não da eleição,

- Cota para as mulheres,

- Fim das coligações,

- Cláusula de desempenho, e

- Outros temas independentes (obrigatoriedade do voto e dia da posse do presidente da República).

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