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22/05/2015 12:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Sem dar explicações ao MP-PR, Beto Richa se diz alvo de uma ‘perseguição do PT' e defende ação da PM contra professores

Montagem/Estadão Conteúdo

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) voltou a cobrar nesta quinta-feira (21) o governador Beto Richa (PSDB), dois dias após ter vencido o prazo estabelecido pela entidade para a prestação de esclarecimentos acerca da operação policial que resultou na repressão de professores no último dia 29 de abril, no Centro Cívico, em Curitiba.

Os promotores querem informações detalhadas do “do planejamento (plano de operação) e execução das ações policiais desencadeadas no Centro Cívico, entre os dias 25 e 29 de abril”. Já a Secretaria de Segurança Pública teve atendido o pedido de extensão do prazo por mais dois dias, enquanto o comando da Polícia Militar também ainda não atendeu à solicitação.

Apesar de ‘ignorar’ o pedido do MP-PR, Richa voltou a falar do massacre de professores nesta quinta-feira. Na solenidade de posse do novo comandante-geral da PM, coronel Maurício Tortato, o governador manteve o discurso de que os policiais “foram atacados por infiltrados” e que os 1,6 mil PMs foram sim agredidos pelos manifestantes.

“Os soldados da PM foram agredidos por grupos radicais que não estavam ali para se manifestar pacificamente. Estavam infiltrados no movimento e queriam invadir a Assembleia Legislativa”, disse, segundo informações do jornal Gazeta do Povo. Em coletiva momentos antes, o tucano comentou ainda que “grupos radicais queriam o confronto e até um defunto para marcar o episódio e consequente a mim”.

Desde o início do mês, tanto a Defensoria Pública do Estado do Paraná quanto a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) negaram que qualquer um dos 14 detidos naquele dia fosse black bloc. Nas fotos apresentadas pelo hoje ex-secretário de Segurança, Fernando Francischini, aqueles identificados como black blocs na verdade eram estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que por sua vez disseram ter sido torturados dentro do Palácio Iguaçu, sede do governo estadual.

O tom de Richa apresentado na solenidade da PM é o mesmo da entrevista concedida ao jornalista Fernando Rodrigues, do portal UOL. No bate-papo, mais uma vez ele culpou o PT por uma campanha de ‘perseguição’, para desviar o foco de outros escândalos de corrupção, e que a paralisação dos professores é incoerente, uma vez que eles recebem “um dos maiores salários do Brasil”.

Ainda a Rodrigues, o tucano garantiu não ter nenhum envolvimento com as denúncias de caixa 2 de sua campanha eleitoral, tampouco com o escândalo da Receita Estadual ou com uma suposta extorsão na qual a sua mulher, Fernanda Richa, é citada por favorecimento a auditores fiscais.

Quase 200 depoimentos nas investigações

O MP-PR informou que 190 pessoas já foram ouvidas pelos promotores na investigação sobre a operação policial do dia 29 de abril. O órgão informou ainda que recebeu 274 mensagens pelo e-mail criado para apurar o assunto (denuncias29deabril@mppr.mp.br). Todo o material deve compor um procedimento investigatório criminal já instaurado e um procedimento preparatório de inquérito civil.

No total de todas as investigações, de acordo com o MP-PR, foram emitidos 117 laudos de lesões corporais, considerando os inquéritos em andamento na Polícia Civil e na Polícia Militar.

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