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21/05/2015 19:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Maior manifestação pró-legalização da cannabis no País, Marcha da Maconha São Paulo ocorre neste fim de semana

Montagem/Estadão Conteúdo

O maior ato a favor da descriminalização da maconha no Brasil vai ocorrer neste sábado (23). A Marcha da Maconha São Paulo deve atrair o maior número de manifestantes entre as 33 cidades que participam do "Maio Verde".

Mais de 12 mil já confirmaram que vão às ruas reivindicar uma nova mentalidade sobre o uso e tráfico de drogas no País. (veja aqui calendário completo)

A organização gravou um vídeo-convite com o imperativo "Sai do armário, maconheiro". O apresentador Cazé Peçanha, atualmente na Band e ex-MTV, é um dos que convocam usuários e simpatizantes a participar do protesto:

EU VOU NA MARCHA DA MACONHA SÃO PAULO 2015 — 23/05, PORQUE...... luto pela legalização de produção, circulação e usos da erva... a liberdade tem que cantar pr@s pres@s da guerra às drogas... to afim de plantar o meu remédio... quem manda no meu corpo sou eu... a proibição mata e faz mal pra toda sociedade... cansei de tomar enquadro... ???????Marcha da Maconha São Paulohttps://www.facebook.com/events/997146923632975/Pela liberdade d@s noss@s pres@SEm memória a@s noss@s mort@S#LEGALIZE

Posted by Marcha da Maconha São Paulo on Sunday, 17 May 2015


O Coletivo DAR (Desentorpecendo a Razão), player da batalha antiproibicionista, ressalta que não é necessário ser usuário para participar:

"Não precisa ser maconheiro pra colar na Marcha da Maconha São Paulo! Usuários ou não usuários, vendedores ou não vendedores, cultivadores ou não cultivadores, tod@s viramos inimigos do Estado no momento em que nossas ruas se tornaram campos de batalha onde 'balas perdidas' insistem em achar corpos inocentes e o vermelho do sangue já foi naturalizado no cotidiano."

Argumentos pró-legalização

O propósito da marcha é propor a legalização como alternativa à guerra às drogas — política de repressão ao tráfico, considerada fracassada por especialistas e autoridades, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o médico Drauzio Varella.

Um vídeo da marcha questiona:

"Além de não inibir o consumo, a guerra às drogas ainda causa e agrava uma série de problemas sociais. Se o Estado tem interesse em dever de zelar pelo bem-estar das pessoas, não seria melhor outra política de drogas?"

Os militantes argumentam que o tráfico de drogas é o crime que mais lota as prisões no Brasil. Assim, a legalização poderia deixar em liberdade centenas de traficantes que vendem apenas pequenas quantidades de maconha.

Além de ajudar o sistema prisional, os manifestantes acreditam que legalizar reduziria as estatísticas de homicídios de jovens negros e pobres, os mais vulneráveis à violência no Brasil, conforme estudo da Secretaria Nacional de Juventude, Ministério da Justiço e Unesco.

Por isso, o lema da marcha neste ano é: "Pela liberdade d@s noss@s pres@s. Em memória a@s noss@s mort@s".

Desconvite à PM

A organização da marcha também elaborou uma carta aberta de desconvite à Polícia Militar.

"Que coincidência, não tem polícia, não tem violência", frisa a mensagem reproduzida em sites que apoiam o ato.

"Ainda que não tivéssemos uma das polícias mais sanguinárias do mundo, a ideia de que 'é nois por nois' (sic), de que da segurança da manifestação devem cuidar os próprios manifestantes, é também algo que queremos enquanto um princípio de autonomia e mesmo de construção, passo a passo, daquele outro mundo que queremos."

O ato em São Paulo também terá shows de Flora Matos, Sombra e Msário e blocos temáticos, como feminista, LGBT, de ciclistas, contra transgênicos etc.

Marcha da Maconha São Paulo

Data: Sábado (23)

Horário: A partir das 14h20 (concentração) e 16h20 (marcha)

Local: Vão do Masp, na Avenida Paulista