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21/05/2015 16:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Ativistas africanos denunciam treinamento para 'ensinar' meninas de oito anos a satisfazer um homem na cama

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Meninas de oito anos de idade no Moçambique e na Zambia estão sendo forçadas a irem para campos onde elas são "ensinadas" a satisfazer um homem na cama. O objetivo do "treinamento", segundo ativistas, é prepará-las para a vida conjugal. A denúncia foi feita nesta quinta-feira (21), durante uma conferência internacional para acabar com o casamento infantil organizada pela Girls not Brides.

A iniciação sexual das crianças é feita após a primeira menstruação e é comum que elas sejam violentadas com o uso de objetos, segundo Persilia Muianga, da agência internacional World Vision.

De acordo com Muianga, algumas mães forçam suas filhas a manterem relações sexuais, por acreditarem que a prática pode fazer com que elas fiquem menstruadas.

Segundo o embaixador da boa vontade da União Africana, Nyaradzayi Gumbonzvanda, o casamento infantil deve ser visto como uma forma de escravidão moderna.

"[Com o casamento infantil] estamos sancionando o estupro, o rapto, uma forma moderna de escravidão, o tráfico, e o trabalho forçado", afirmou ele. De acordo com informações da Reuters a mãe e a irmã de Gumbonzvanda foram obrigadas a se casarem ainda crianças, no Zimbábue.

Cerca de 15 milhões de crianças e adolescentes são casadas todos os anos. A prática faz com que elas sejam privadas de educação e oportunidades, e aumenta as chances que elas sejam vítimas de exploração, violência sexual, abuso doméstico e morte no parto.

De acordo com Gumbonzvanda, que também participa do evento em Casablanca, o casamento infantil, além de impactar a vida das jovens, mina o desenvolvimento de suas comunidades e países. "Manter as meninas na escola e impedir os casamentos infantis é crucial para o desenvolvimento da África".

O padre anglicano Jackson Jones Katete, que vive na Zâmbia, afirmou que, durante as "aulas", as meninas que não fazem os movimentos sexuais "corretamente", são cortadas por mulheres mais velhas.

Segundo Muianga, o treinamento dura uma semana, e também "ensina" as meninas sobre higiene, tarefas domésticas e sobre como elas devem se comportar na comunidade. Os pais que não levam as meninas para as atividades de iniciação podem ser multados pelos líderes comunitários.

"No momento em que as meninas saem do campo, a mensagem é que elas estão prontas para o sexo. Então os homens vêm e começam os noivados", contou Katete.

Quase metade das meninas em Moçambique e cerca de 40% na Zâmbia são casadas antes dos 18 anos, mesmo que a legislação proíba o casamento infantil em ambos os países. Cerca de 700 milhões de mulheres vivas atualmente se casaram quando crianças, o que representa 10% da população mundial.

(Com informações das agências de notícias)