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20/05/2015 13:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Atentado contra prefeito de Paraty (RJ) expõe criminalidade que ameaça há meses um dos polos turísticos e culturais do Brasil

Montagem/Facebook

O prefeito de Paraty (RJ) Carlos José Gama Miranda (PT), conhecido como Casé, de 45 anos, foi alvo de um atentado a tiros na noite desta terça-feira (19). Tudo aconteceu quando ele e um servidor público deixavam a sede da prefeitura. O disparo atingiu a cabeça do prefeito de raspão, mas ajuda a expor um cenário de meses de insegurança na cidade que fica a 258 km da capital fluminense e é um polo cultural e turístico do Brasil.

De acordo com comunicado divulgado pela prefeitura, Casé e o servidor identificado como Sérgio José (que seria primo dele) deixavam a administração municipal, por volta das 19h. Um homem em uma moto seria o autor dos disparos. Após atirar, ele fugiu do local e ainda não havia sido identificado pela polícia até o fim da manhã desta quarta-feira (20).

Nota oficialA Prefeitura de Paraty esclarece que o prefeito Carlos José Gama Miranda, Casé, foi alvo de um atentado no...

Posted by Prefeitura de Paraty on Terça, 19 de maio de 2015


No perfil de Casé no Facebook, a mensagem era mais contundente. “Esse crime não pode ficar impune. A polícia está no encalço do bandido e vai usar imagens de câmeras de vigilância para localizar o criminoso”, dizia a mensagem.

Comunicado dos amigos e familiares do prefeito CaséInformamos que o prefeito Casé foi vítima de um atentado quando...

Posted by Casé Paraty II on Terça, 19 de maio de 2015


O 167º Distrito Policial investiga o caso, que assustou moradores do município de quase 40 mil habitantes. “Se isso acontece com o prefeito, você já imaginou com a gente? A gente fica muito preocupada sim, porque essa onda de violência em Paraty está demais”, disse uma moradora ao jornal Bom Dia Rio, da TV Globo. “O pessoal fica um pouco apreensivo, porque é um cara, uma pessoa legal. Para você sair na rua você já está ficando um pouco preocupado”, ponderou outro.

Em agosto do ano passado, durante a realização da tradicional Festa Literária Internacional (Flip), o próprio Casé admitiu, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que a violência era um problema que preocupava a prefeitura. “Como dizer aos meninos daqui que é melhor estudar do que fazer ‘aviãozinho’ (carregador de droga), quando isso é mais rentável com a cidade cheia de turistas que têm a ideia de que aqui é lugar de ‘ficar louco’, por conta da tradição hippie?”, avaliou o prefeito.

Em 2013, em outra entrevista, o tom do prefeito foi o mesmo:

“A gente vê a garotada, hoje, sofrendo os efeitos da desestruturação da família, da falta de valores… Atualmente, o super-herói de um jovem de 15 anos é o traficante do bairro… Esse problema é enorme na nossa sociedade, tem raízes na falta do pai, na convivência com uma mãe fragilizada… Toda essa realidade é muito complicada, é uma luta injusta, que estamos tentando reverter com programas no esporte, na educação, na promoção social.”

No dia seguinte à entrevista para Folha, um tiroteio entre policiais militares e suspeitos assustou moradores e turistas que estavam na cidade para a Flip. No Carnaval deste ano, em fevereiro, um novo tiroteio deixou um morto e 10 feridos no município. De acordo com dados do Mapa da Violência, Paraty ocupa a terceira posição entre as cidades mais violentas do Estado do Rio de Janeiro, com 62 mortos por cada 100 mil habitantes. Até uma página foi criada no Facebook para ‘contar os homicídios’ na cidade.

Já em 2011, especialistas apontavam que a região dos Lagos, onde ficam cidades como Búzios e Cabo Frio, integra setores de atuação de traficantes, inclusive com disputa de territórios. Não é diferente na região Sul do Estado fluminense, onde fica Paraty. As investigações da polícia é que vão mostrar se o atentado contra Casé – que entrou na vida política em 2000, como vereador, é casado e pai de três filhos – tem relação direta com o tráfico de drogas.

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