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Morre Aruna Shanbaug, enfermeira indiana que foi estuprada e estava em coma há 42 anos

18/05/2015 15:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02
PUNIT PARANJPE via Getty Images
Indian nurses and hospital staff gather to pay their respect near the body of nurse Aruna Shanbaug at a hospital in Mumbai on May 18, 2015. Shanbaug died on May 18 after 42 years in a coma following a brutal rape, in a case that led India to ease some restrictions on euthanasia. AFP PHOTO/ PUNIT PARANJPE (Photo credit should read PUNIT PARANJPE/AFP/Getty Images)

Uma enfermeira indiana que permaneceu em coma por 42 anos depois de ser estuprada e estrangulada por um funcionário do hospital onde trabalhava morreu nesta segunda-feira (18). O caso de Aruna Shanbaug, que tinha 25 anos quando os danos cerebrais provocados pelo estrangulamento a deixaram em estado vegetativo, deu início a um prolongado debate sobre a eutanásia na Índia.

A jornalista e escritora indiana Pinki Virani, amiga da enfermeira, entrou com um processo judicial pedindo que fosse suspensa a alimentação por tubo para "por um fim à insuportável agonia" de Aruna. Em 2011, a Suprema Corte da Índia rejeitou o pedido alegando que Pinki não era parente da enfermeira, mas o processo resultou na legalização da "eutanásia passiva" no país - quando os cuidados médicos são interrompidos em situações específicas a pacientes em estado vegetativo permanente.

Na semana passada, Shanbaug foi diagnosticada com pneumonia e faleceu no hospital King Edward Memorial, em Mumbai, onde permaneceu internada por mais de quatro décadas. "Meu pequeno pássaro, tão maltratado, finalmente pode voar. E ela deu à Índia a lei da eutanásia passiva antes de partir", disse Pinki, que escreveu o livro Aruna's Story (A História de Aruna), à BBC.

O agressor de Aruna foi condenado a sete anos de prisão por roubo e tentativa de assassinato, uma vez que as evidências do estupro foram removidas do relatório médico do crime.