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18/05/2015 19:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Jay-Z e Beyoncé pagaram fiança de manifestantes nos EUA

Getty Images

O rapper Jay-Z e a cantora Beyoncé teriam desembolsado "dezenas de milhares de dólares" para pagar a fiança de manifestantes presos em protestos contra abusos policiais nas cidades americanas de Ferguson e Baltimore.

Dream Hampton, uma ativista e produtora de vídeo que trabalhou com Jay-Z na produção do livro Decoded, a autobiografia do cantor lançada em 2010, afirmou no domingo que o casal tinha o objetivo de livrar da cadeia as pessoas que não tinham condições de arcar com os valores estipulados pelas autoridades.

Em Baltimore, manifestantes flagrados em fotografias destruindo viaturas da polícia foram mantidos na cadeia com fianças de 500.000 dólares.

Dream publicou as revelações em seu perfil no Twitter, mas apagou as mensagens após reconhecer ter cometido "múltiplos erros" ao postá-las. A revista americana Complex, no entanto, salvou o conteúdo antes de Dream deletá-lo.

"Eu publicarei isso e não me importo se Jay ficar bravo. Quando precisamos de dinheiro para os manifestantes de Baltimore, eu pedi a Jay, assim como fiz em Ferguson, e levantei dezenas de milhares de dólares em minutos".

A ativista também declarou que o casal forneceu "um cheque gordo" para financiar o movimento Black Lives Matter (Vidas dos Negros Importam, em tradução livre).

A expressão ganhou força nos Estados Unidos após os maciços protestos contra a morte de Michael Brown, ocorrida em Ferguson, em agosto do ano passado.

Após as mensagens serem apagadas, o jornal britânico The Guardian enviou um e-mail para confirmar as declarações de Dream.

A produtora admitiu ter publicado as mensagens, mas não quis revelar detalhes sobre quantas pessoas teriam sido libertadas por Jay-Z. A publicação não pôde confirmar a informação com os representantes do cantor.

Segundo a MTV dos Estados Unidos, Dream passou a organizar protestos envolvendo celebridades nos últimos meses. Um deles ocorreu durante uma partida da NBA, a liga de basquete americana, em que os jogadores do Brooklyn Nets e do Miami Heat vestiram camisetas com os dizeres "I Can't Breathe" (Eu não posso respirar).

A frase fazia alusão às últimas palavras ditas por Eric Garner, um ambulante negro morto pela polícia em Nova York, em julho do ano passado.

Um vídeo divulgado na internet mostrava policiais brancos aplicando uma gravata em Garner, que não oferecia resistência.

O caso elevou as tensões raciais no país e também levou pessoas às ruas para protestar contra as práticas adotadas pelas autoridades americanas.

Baltimore

As manifestações mais recentes envolvendo a questão racial nos Estados Unidos ocorreram em Baltimore, no Estado de Maryland, após a morte de Freddie Gray, um jovem negro de 25 anos que sofreu ferimentos na coluna vertebral durante o período em que estava sob a custódia da polícia.

Após o funeral de Gray, confrontos entre manifestantes e policiais na cidade deixaram dezenas de feridos e mais de 100 detidos. Lojas foram saqueadas e incendiadas por vândalos.

Os seis oficiais envolvidos na morte de Gray foram presos e respondem por homicídio.