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12/05/2015 16:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

‘Ponto gelado' misterioso pode ser a maior estrutura do universo

Astrônomos estão comemorando a descoberta do que pode ser “a maior estrutura individual jamais identificada pela humanidade”

Não se trata de uma galáxia ou de um conjunto de galáxias – nem mesmo de um superconjunto de galáxias Não é nem mesmo uma estrutura propriamente dita. Na realidade, é uma espécie de enorme bolha cósmica – um “supervazio” mais ou menos esférico de 1,8 bilhões de anos-luz de diâmetro.

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O 'ponto gelado' fica na constelação Eridanus. Gráfico de Gergö Kránicz. Crédito: ESA Planck Collaboration

O que diferencia essa bolha das regiões que a cercam no universo? Não há barreira – apenas a densidade de galáxias é significativamente menor dentro do supervazio do que fora dele.

“Supervazios não são inteiramente vazios, eles são menos densos”, disse à Popular Science Andras Kovacs, da Universidade Eotvos Lorand, em Budapeste, Hungria. Kovacs é um dos responsáveis pela descoberta. Na verdade, segundo o The Guardian, “faltam” 100 000 galáxias no supervazio.

Uma charada cósmica

A descoberta ajuda a explica um mistério que data de 2004, quando astrônomos que examinavam um mapa da radiação remanescente do Big Bang – chamada radiação cósmica de fundo em microondas (CMB, na sigla em inglês) – notaram uma região grande e estranhamente fria na constelação Eridanus, no Hemisfério Sul.

Não é incomum encontrar pontos frios no céu, segundo uma declaração por escrito divulgada pela Universidade do Havaí. Mas este era muito maior e mais fria que os outros.

Os astrônomos não sabiam explicar o fenômeno.

“O ponto frio deixou muita gente intrigada”, disse ao Guardian Carlos Frenk, cosmólogo na Universidade de Durham, Inglaterra, que não esteve envolvido na pesquisa. “A verdadeira questão era saber o motivo e se era um desafio ao conhecimento ortodoxo.”

Se o ponto frio tivesse sua origem no Big Bang, poderia ser sinal de alguma física exótica que as teorias cosmológicas modernas simplesmente não explicam, segundo o comunicado da Universidade do Havaí. Por outro lado, o ponto frio poderia simplesmente ser evidência de uma região relativamente vazia do espaço entre nós e o CMB.

Tudo se alinha

A descoberta do supervazio sugere que a segunda explicação é a mais provável. Como disse ao The Huffington Post por email Istvan Szapudi, astrofísico do Instituto de Astronomia em Manoa, da Universidade do Havaí e um dos envolvidos na pesquisa: “Não estabelecemos uma relação causa [entre o Ponto Frio e o supervazio], mas o fato de que dois objetos muito raros estarem alinhados aumenta muito a probabilidade de que eles tenham a ver um com o outro”.

Szapudi, Kovacs e seus colegas fizeram a descoberta usando dados ópticos do telescópio Pan-STARSS, na ilha havaiana de Maui, e dados infra-vermelhos do satélite WISE (Wide Field Survey Explorer), da NASA.

Combinando os dois conjuntos de observações, os astrônomos puderam estimar a distância e a posição de cada galáxia naquela parte do céu. O supervazio está a cerca de 3 bilhões de anos-luz da Terra.

O paper que descreve a pesquisa foi publicado online em 20 de abril na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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