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12/05/2015 11:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Como é possível saber se realmente dormi bem?

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Pergunta: Como saber se você realmente dormiu bem?

Resposta: Vamos encarar este fato: na maior parte das vezes é praticamente impossível ver nossos hábitos de sono sem ser com um certo preconceito. Seja superestimando ou subestimando a quantidade e a qualidade do seu sono, você raramente acerta o alvo. Isso porque sem métodos de rastreamento científicos, que confirmem como você dorme com detalhes, é tudo uma questão de percepção, que pode ser alterada substancialmente dependendo do seu humor.

Kristen Knutson L., Ph.D., uma professora assistente do Departamento de Medicina da Universidade de Chicago e da Fundação Nacional do Sono, Poll Fellow, explicou porque lembramos tão pouco sobre o sono.

Se você está de mau humor, você fica mais propenso a colocar a culpa em causas plausíveis, como a qualidade do sono, pela dificuldade que você está enfrentando. Por outro lado, ela disse, se você geralmente se sente bem, você terá uma visão mais positiva sobre tais fatores.

Knutson citou um estudo, recentemente publicado no American Journal of Physiology, que examinou tanto a consciência subjetiva como a objetiva da privação do sono em um grupo de oito participantes.

“Os indivíduos dormiam quatro horas por noite, por isso sabemos que eles não estavam dormindo o suficiente, e no dia seguinte nós perguntávamos 'Como você se sente?’”, disse Knutson ao The Huffington Post. “E, claro, alguns diziam que se sentiam muito mal e que tinha sido horrível e outros diziam que se sentiam bem e que não era grande coisa."

Independentemente de como os participantes relataram seus sentimentos, um teste com perguntas feitas no computador contou uma história diferente: todos os participantes se sentiam mal. Em outras palavras, de uma perspectiva cognitiva, aqueles que disseram que se sentiam bem sofriam as mesmas consequências após uma noite ruim de sono. Não houve qualquer indicação de que eles eram bons em julgar o quanto isso lhes afetava.

“É por isso que quando alguém me procura e diz, 'Oh, eu só preciso de quatro horas de sono', eu não acredito nele”, disse Knutson, “por que eu não sei se ele sabe o quanto isso o afeta”.

Além do estado de espírito, os nossos ritmos circadianos podem nos fazer pensar que dormimos melhor do que realmente dormimos. De acordo com Knutson, não importa o quão bem ou mal você possa ter dormido em uma determinada noite, o seu ritmo circadiano, de forma natural e gradual, aumenta o seu estado de alerta desde o momento em que você acorda até o início da noite (menos naquele período de sono à tarde). Assim, mesmo que você não durma bem, à medida que o dia passa você ainda vai se sentir alerta.

Há consequências na nossa pobre recordação quando se trata do sono.

"Obviamente ficar com sono ao dirigir é assustador porque pode acabar em fatalidade, mas não precisa ser tão severo assim para impactar a sua vida", disse Knutson. “Isso afeta o humor e os relacionamentos. Também é possível que depois de um tempo nós nos acostumemos a nos sentirmos péssimos, e assim isso se torne comum. Se você está privado de sono o tempo todo você pode esquecer como que é se sentir totalmente descansado. E então você não consegue perceber se está privado de sono, pois não há feedback negativo que diga que é melhor você descansar."

Uma solução seriam os rastreadores de sono. As pessoas que começam a prestar atenção quando vão para a cama, quando acordam e o quanto dormem, tendem a ficar mais conscientes desses comportamentos e considerar mudanças se forem necessárias. E reunindo esses dados elas não terão que se perguntar como dormiram - elas podem simplesmente olhar os números.

“Se levarmos alguém ao nosso laboratório e o colocarmos em uma cama conectado a uma máquina de sono, que envia sinais sonoros durante toda a noite, observamos suas ondas cerebrais e sabemos que eles estão acordando brevemente", disse Knutson. "Mas quando você lhes pergunta no dia seguinte, eles não se lembram de terem acordado”. O mesmo é válido para o rastreamento pessoal de sono. Você pode não se lembrar de todos os momentos em que esteve inquieto, mas o dispositivo dirá.

Quando se trata de escolher o dispositivo de rastreamento ideal para você, as opções parecem não ter fim. Mas, para diminuir a seleção, tente um que não requeira que você mantenha o seu telefone perto da cama, pois a proximidade só vai prejudicar a qualidade do seu sono, apesar dos seus esforços. Além disso, quanto mais científico for, melhor. Optar por um rastreador que olhe além do seu sono e do seu tempo acordado, um que monitore seus momentos de inquietude, o número de vezes que você fica totalmente acordado durante a noite, lhe dará uma leitura mais precisa dos seus hábitos de sono.

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(Tradução: Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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