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11/05/2015 12:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Caso da estudante deixada nua por PMs em Curitiba é apenas um dos relatados por alunos e professores da UEL

Montagem/Reprodução Facebook

A violência policial aplicada contra professores no último dia 29 de abril em Curitiba está longe de ter sido superada por docentes e estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Pelo menos quatro alunos denunciaram ao Ministério Público (MP-PR) agressões e torturas sofridas dentro do Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná. No pior deles, uma estudante alegou ter sido obrigada a ficar nua.

“Me revistaram assim, não colocaram a mão em mim, mas fizeram eu ficar totalmente nua, de mão para parede, e me xingando de vadia, vagabunda, de vândala. (Quem dizia isso) estava sem identificação, então não sei dizer”, disse a aluna de 19 anos, em entrevista na semana passada ao jornal Paraná TV Segunda Edição, da RPC (afiliada da Rede Globo no Estado). O incidente foi antes denunciado pelo Jornal de Londrina.

O promotor de Direitos e Garantias Constitucionais de Londrina, Paulo Tavares, colheu este e outros depoimentos em Londrina, no interior paranaense, e os encaminhou ao MP-PR em Curitiba, que já ouviu mais de 80 pessoas e recebeu mais de 150 mensagens pelo email (denuncias29deabril@mppr.mp.br) criado para denúncias de abusos serem feitas. Mas o caso da jovem não foi o único. Os outros três estudantes também foram alvo de violência, segundo professores ouvidos pelo Brasil Post.

Manifestação contra a Tirania do Governador - Depoimentos

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“Eu e mais nove professores ficamos detidos do lado de fora do palácio. Os alunos foram levados lá para dentro e sofreram de tudo. Só faltou pau de arara. Enquanto as bombas explodiam do lado de fora, eles sofriam agressões lá dentro. Tentei me apresentar como advogado que sou, para defendê-los, mas (os PMs) formaram um círculo e não nos deixaram passar”, relembrou Renato Lima Barbosa - presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Estadual de Londrina e Região (Sindiprol/Aduel).

A situação foi denunciada por mais estudantes em uma página no Facebook.

Como foi possível acompanhar nas reportagens da televisão. Uma série de mentiras foi produzida por Beto Richa tentando...

Posted by Greve Estudantil - UEL on Sexta, 1 de maio de 2015


O advogado e professor do curso de Direito da UEL, César Bessa, comentou que os estudantes foram erroneamente acusados de serem black blocs pelo agora ex-secretário de Segurança Fernando Francischini - o que foi prontamente desmentido pela Defensoria Pública estadual e pela Ordem dos Advogados do Brasil. O que ele chamou de ´bombas’ eram, de acordo com Bessa, antiácidos diluídos em soro fisiológico, composição que ajudaria a suportar o gás lacrimogêneo da PM. “Custou R$ 78, temos as notas fiscais da farmácia”, disse.

PM e os 'black blocs' no PR


Professores e alunos denunciaram ainda a presença dos chamados ‘P2’, como são conhecidos os policiais a paisana, que estariam infiltrados entre os professores no dia do lamentável episódio. “Eles (estudantes) foram tratados com muita brutalidade. A menina, em especial, foi separada dos rapazes, levada para uma sala com duas PMs e foi obrigada a se despir. A chamaram de vadia, vagabunda, petista, comunista, black bloc, tudo isso. O nome disso é tortura”, afirmou Bessa.

Ainda na sexta-feira (8), a Casa Militar negou as acusações feitas pelos estudantes e professores da UEL e disse que irá processá-los por calúnia. Quando ao grupo de Londrina, que foi em três ônibus a Curitiba para apoiar a causa dos educadores estaduais, a esperança repousa sobre as investigações do MP-PR.

“Está todo mundo muito assustado. Os alunos ficaram uma hora sofrendo essas agressões dentro do palácio do governo. Ainda por cima seguraram os telefones celulares deles, violaram a intimidade de todos. Claro, não acharam nada porque não havia nada a ser achado”, ponderou Barbosa. No fim deste mês, os estudantes terão de voltar a Curitiba, para responder por atentado contra o Estado.

“Oferecemos ajuda psicológica e jurídica aos alunos, mas é importante ficar claro que vivemos em um Estado de direito. As pessoas precisam se tocar (...). É importante que as pessoas continuem demonstrando indignação com as coisas que estão acontecendo aqui no Paraná. Aqui, a ditadura não acabou. Ela não é militar, mas sim de pessoas truculentas, autoritárias, e que se consideram personalidades diferentes a ponto de espancar professores”, concluiu Bessa.

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