LGBT
11/05/2015 10:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Após indicação de Telhada, deputados de SP definem os rumos da Comissão de Direitos Humanos nesta semana

Montagem/Reprodução Facebook

A presença do deputado estadual Coronel Telhada (PSDB) na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) promete acirrar a disputa pela presidência. Pelo menos é o que garante o PT, partido de oposição e minoria na Casa. A primeira reunião da CDH nesta nova legislatura deve acontecer nesta quarta-feira (13), revelou ao Brasil Post a deputada Beth Sahão (PT).

Extraoficialmente, as primeiras conversas entre as bancadas da Alesp apontam para o PSDB ter o direito a indicar o presidente da CDH. O nome preferido dos tucanos seria o do deputado Carlos Bezerra Jr., que já integrou a comissão na legislatura passada. A assessoria do parlamentar não confirmou ao Brasil Post que ele será mesmo o presidente. O que se sabe é que Telhada queria o posto, mas acabou contido pelos próprios tucanos.

“Gostaria de ser o presidente, mas não deu. O PSDB escolheu Carlos Bezerra”, disse a assessoria de Telhada ao site Terra. Na legislatura passada, a presidência ficou com o PT – o ex-deputado Adriano Diogo presidiu os trabalhos – e, segundo Beth Sahão, o partido não desistiu ainda de buscar a posição na CDH, uma vez que a causa dos direitos humanos “é muito importante para nós”, comentou a parlamentar.

E a presença de Telhada? A petista comentou.

“Acho que a presença dele é uma afronta aos direitos humanos. Acho que ele está muito bem colocado na comissão de Segurança (dominada pela ‘Bancada da Bala’). A CDH é uma comissão voltada às denúncias de abusos aos direitos das pessoas, sejam negros, homossexuais ou adolescentes. Temos uma infinidade de temas caros a todos nós e a gente sabe a abordagem dele (Telhada). Não é nada pessoal. Ele tem o direito de defender o que acredita, mas sabemos a razão pela qual está pleiteando a presença na CDH, que é para impedir os avanços que conseguimos a duras penas”, avaliou a deputada.

A primeira medida do PT para tentar manobrar a situação a seu favor foi trocar Beth Sahão e o ex-líder do partido na Alesp, João Paulo Rillo, de posição – ela seria suplente, mas virou efetiva. Sendo a mais velha entre os indicados, ela ganhou o direito de definir a data da primeira reunião da CDH, prevista para esta quarta-feira, um dia depois do encontro do Colégio de Líderes. Nele, Beth espera conseguir costurar uma candidatura de oposição.

“Agora é luta política. Já adiantei ao presidente da Casa (Fernando Capez, do PSDB) o nosso desagrado com a presença do Coronel Telhada na comissão. Sabemos que o deputado Carlos Bezerra é alguém que luta também por questões pertinentes nessa área, mas não dá para adiantar nada ainda”, afirmou a petista.

Além de Beth, Bezerra e Telhada, a CDH conta com os deputados Adilson Rossi (PSB), André Soares (DEM), Clélia Gomes (PHS), Hélio Nishimoto (PSDB), Luís Carlos Gondim (PSDB), Marcia Lia (PT), Marta Costa (PSD) e Raul Marcelo (PSol).

Telhada enfrenta rejeição no próprio PSDB

Durante o fim de semana, setores tucanos demonstraram o seu descontentamento pela indicação de Telhada, um ex-comandante da Rota – tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo –, para a CDH. Em nota, os movimentos negro (Tucanafro), gay (Diversidade Tucana) e o PSDB Esquerda para Valer pediram para que as lideranças da sigla na Alesp revejam a indicação do parlamentar.

“Tem declarações dele que o próprio partido considerou xenófoba. Isso vai contra o programa do PSDB. A gente acha que tem opções melhores, menos polêmicas, menos complicadas (que podem ser indicadas para a comissão). As opiniões do Telhada não são opiniões compartilhadas pelo PSDB, nem refletem as bandeiras do partido, principalmente a ligada aos direitos humanos”, disse o presidente do Diversidade Tucana estadual, Wagner Tronolone, ao jornal O Estado de S. Paulo.

Na semana passada, no plenário da Alesp, Telhada justificou que pediu para fazer parte da CDH. “Entendo que nós, policiais militares, somos os mais atuantes na área de defesa dos direitos humanos”, afirmou, para emendar em seguida: “Quando falamos isso, sempre ouvimos um risinho hipócrita das pessoas, mas sempre desafio qualquer pessoa que ri para mim quando digo isso a me informar quando foi que, em sua vida, jurou defender a vida de outros com o sacrifício da própria vida. Só o policial militar faz isso. Infelizmente centenas, milhares, cumpriram esse juramento, morrendo nas ruas de São Paulo por pessoas que nem conheciam”.

Na sua página no Facebook, o ex-comandante da Rota disse que “agora sim haverá uma CDH” no Legislativo paulista.

Agora sim teremos na ALESP uma comissão de Direitos Humanos que realmente se preocupará com os Direitos de todos os...

Posted by Coronel Telhada on Sexta, 8 de maio de 2015


“Vamos atuar fortemente no direito de quem? No direito da vítima. No direito das pessoas que lutam pelo bem da sociedade, no direito das pessoas que foram injustiçadas, esses são os verdadeiros direitos humanos, não fazer apologia ao crime nem ficar com discursos politicamente corretos. Eu não sou politicamente correto, sou um cumpridor da lei e assim o farei nas comissões designadas”, completou Telhada em seu discurso na Alesp.

O líder do PSDB na Casa, deputado Carlão Pignatari, já avisou que, se depender dele, Telhada será mantido como indicação do partido. Todavia, duas fontes ligadas ao partido ouvidas pelo Brasil Post adiantaram que existem discussões internas sobre o assunto, embora reconheça-se que dificilmente será possível demover Telhada da ideia de compor a CDH. Em 32 anos de carreira na PM, o deputado coleciona 36 mortes e 80 elogios em sua ficha.

Primeira CPI da nova CDH pode investigar grupos universitários

Seguindo a ordem das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) protocoladas nesta legislatura, a primeira a ser instalada na CDH é a protocolada pela deputada Célia Leão (PSDB), que pretende investigar diretórios acadêmicos e repúblicas de estudantes. A comissão, constituída pelo ato número 22 de 2015 pela Presidência da Alesp, deverá dar prosseguimento às investigações já feitas pela CPI dos Trotes, concluída em março.

Essa nova CPI poderia ir mais a fundo acerca dos patrocínios que envolvem as festas universitárias no Estado de São Paulo. Uma conhecida marca de cerveja patrocinou o evento em que o estudante de engenharia da Unesp Humberto Moura Fonseca, de 23 anos, morreu em Bauru (SP), no dia 28 de fevereiro.

De acordo com a CPI dos Trotes, há uma indústria por trás dessas festas universitárias, na qual as lideranças de Centro Acadêmicos e Associações Atléticas acabam por se tornar ‘sócias’ de grandes empresas, em geral da indústria de bebidas alcoólicas.

Por enquanto, nenhum parlamentar quis falar sobre essa nova CPI. Para Beth Sahão, a discussão dos trabalhos só vai avançar após o encontro de quarta-feira, com a definição de presidente e vice da CDH. “A base do governo protocolou 14 CPIs. Entendemos que a minoria também pode e deve ter CPI, aí entra o entrave regimental. Desse jeito, as nossas não serão instaladas nunca”, comentou.

Entre as CPIs que o PT defende estão uma envolve a violência policial em SP, outra sobre os repasses do governo Alckmin a um blogueiro, e uma terceira acerca dos contratos da Sabesp. Na legislatura passada, a CPI do Trensalão, que pretendia apurar as denúncias de formação de cartel nas licitações do Metrô e da CPTM, não conseguiu as 32 assinaturas necessárias. “Empacamos nas 27, e olha que tínhamos só 22 deputados”, concluiu a petista.

*** ATUALIZAÇÃO ÀS 16h30: As entidades ligadas ao PSDB negaram as informações do jornal O Estado de S. Paulo e declararam apoio a Telhada. Segue abaixo o teor do comunicado desta segunda-feira.

ESCLARECIMENTOO Diversidade Tucana esclarece que, ao contrário do que foi publicado em um primeiro momento no site do...

Posted by Diversidade Tucana on Segunda, 11 de maio de 2015


LEIA TAMBÉM

- Após matar quase 1.000 em 2014, PM de SP mantém alto grau de letalidade em 2015

- ♥ ♥ ♥ 8 vezes em que Coronel Telhada foi um fofo ♥ ♥ ♥

- Geraldo Alckmin veta proibição do uso de bala de borracha em protestos aprovada pela Alesp

- ESTUDO: 2014 foi um ano ruim para a liberdade de expressão no Brasil