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09/05/2015 19:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

‘Espremido entre dois nacionalismos': será o fim do Reino Unido?

Rob Stothard via Getty Images
LONDON, ENGLAND - MAY 09: An anti-government protestor stands in front of Downing Street during a march down Whitehall on May 9, 2015 in London, England. After the United Kingdom went to the polls on Thursday the Conservative party were confirmed as the winners of a closely fought general election which has returned David Cameron as Prime Minister with a slender majority for his party. (Photo by Rob Stothard/Getty Images)

“O leão escocês rugiu esta manhã”, declarou Alex Salmond nas primeiras horas da última sexta-feira (8), quando ele se tornou um dos 56 deputados eleitos pelo Partido Nacional Escocês (SNP) para o Parlamento britânico.

Na Inglaterra, David Cameron surpreendeu institutos de pesquisa e especialistas com uma destruição brutal e precisa dos liberais democratas, defendendo o território conservador de maneira inexpugnável.

Ed Miliband se foi. Assim como Nick Clegg. Trabalhistas e liberais democratas vão se voltar para si mesmos, consumidos por autópsias e eleições para escolher novas lideranças.

Lambendo as feridas da derrota do Partido Trabalhista, Lord Mandelson, um dos arquitetos da distante vitória dos Novos Trabalhistas, em 1997, lamentou que seu partido tenha ficado “espremido entre dois nacionalismos”. Tom Brake, um dos poucos deputados remanescentes dos Lib Dems, advertiu que o “nacionalismo está tomando conta” da Inglaterra e da Escócia.

Cameron, falando do lado de fora de Downing Street na tarde de sexta, insistiu em seu desejo de que os conservadores governem como parte de “Uma Nação, Um Reino Unido”. O primeiro-ministro prometeu “mais poderes” ao governo de Edimburgo.

Mas Salmond sugeriu que um governo conservador, que tem só um deputado na Escócia, não seria legítimo. E é pouco provável que os conservadores ingleses, agora em maioria, queiram fazer muitas concessões aos nacionalistas escoceses. Escoceses e ingleses no Parlamento podem acabar não se conversando. Uma crise constitucional está no horizonte. Assim como outro referendo de independência, mais adiante.

Boris Johnson, que volta ao Parlamento como deputado, foi rápido em reconhecer que o Reino Unido provavelmente terá de mudar logo, se quiser sobreviver. “Tem de haver algum tipo de oferta federativa. Todos precisam respirar fundo e pensar no progresso que queremos para o Reino Unido”, disse ele. “Acho que até mesmo a maioria dos membros do SNP, no fundo de seus corações, e a maioria dos eleitores do SNP, não querem jogar tudo pela janela.”

Falando em Doncaster, onde foi reeleito para a Câmara e viu seu partido sofrer uma humilhante derrota nacional, Miliband disse que os trabalhistas foram “esmagados por uma onda nacionalista”. E Jim Murphy, o líder dos trabalhistas escoceses, derrotado pelo SNP em sua tentativa de reeleição, disse para seus correligionários: “Fomos derrotados por um nacionalismo escocês atiçado pelo SNP, e por um nacionalismo inglês atiçado por David Cameron”.

Clegg, ao anunciar sua renúncia como líder dos Lib Dems, advertiu que a “própria existência do Reino Unido corre grave risco”. O ex-vice-primeiro-ministro disse que o país está “em um ponto muito perigoso de sua história”.

Nigel Farage, que esperava que o 7 de maio de 2015 o levasse a Westminster num terremoto do Ukip, perdeu a disputa no distrito de Thanet South. No fim das contas, como ele admitiu em seu discurso, houve um terremoto, “mas ao norte da fronteira, na Escócia”.

Falando de Escócia, Nicola Sturgeon, a líder do SNP, disse que “as placas tectônicas da política escocesa se moveram” com o resultado da eleição. Qualquer que seja o governo a emergir em Westminster, “eles não podem ignorar o que aconteceu na Escócia”, disse ela.

No alto das prioridades de Cameron estará o prometido referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, previsto para ser realizado até o fim de 2017. Espera-se que Cameron entregue o cargo depois do referendo, qualquer que seja o resultado. As negociações vão ocupar muito do tempo do premiê, uma vez que deputados de seu partido exigem concessões de Bruxelas.

Um voto pela saída da UE, além de tirar o Reino Unido da Europa, terá como bônus um novo ímpeto para que o SNP tente obter a independência, efetivamente separando o Reino Unido.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.