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07/05/2015 11:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

10 anos de Huffington Post: Romário e os desafios de uma liderança independente para a próxima década no Brasil

Montagem/Estadão Conteúdo

Eleito senador nas eleições de 2014 com mais de 60% dos votos do Rio de Janeiro, Romário Faria de Souza conseguiu acrescentar na imagem de herói do esporte nacional expressivos contornos políticos. O ex-jogador de futebol logrou êxito em aproximar dos brasileiros os debates que ocorrem nos corredores do Congresso Nacional e pareciam complexos demais.

Pai de seis filhos, Romário se inspirou na caçula, Ivy, para ingressar no meio político. A filha, que tem síndrome de Down, motivou o ex-atleta a lutar pelos direitos das pessoas com deficiência e com doenças raras. Eleito deputado federal em 2010, ele conseguiu nos primeiros meses de mandato inserir um artigo na legislação brasileira para que os deficientes de baixa renda tivessem um auxílio de um salário mínimo até conseguirem um emprego.

Na Câmara dos Deputados, ele também defendeu os direitos das mulheres e das vítimas de assédio em transporte público.

Em 2013, tornou-se a principal voz crítica do País à Copa do Mundo de 2014. Foi contra a relação entre o governo e a Fifa e questionou a quantidade de dinheiro gasto para realização do evento.

No Senado, ele tem adotado uma postura independente. Conhecido por falar o que pensa, Romário está travando uma batalha contra a ampliação da terceirização no País. O projeto que impacta os direitos dos trabalhadores foi aprovado na Câmara, apesar de protestos. Para o senador, a proposta precariza os direitos trabalhistas.

Em comemoração aos 10 anos do Huffington Post, nosso site global pediu que cada uma das sucursais escolhesse uma liderança que deverá se destacar na próxima década.

O Brasil Post acredita que o senador de 49 anos, em início de mandato, terá uma trajetória promissora pela frente se mantiver as bandeiras de defesa de minorias e grupos socialmente fragilizados. Se prosseguir com essa postura crítica e independente, em relação a entidades, partidos e governos. Se continuar atuando em prol dos cidadãos e do País e não de interesses próprios ou de grupos políticos, como grande parte dos parlamentares e governantes brasileiros atualmente.

Segue um bate bola com o senador, com questões elaboradas pelo Huffington aos líderes escolhidos por cada uma das sucursais:

The Huffington Post: Qual é a maior conquista que você espera, pessoalmente, alcançar nos próximos 10 anos?

Romário Faria de Souza: Tenho pela frente oito anos de mandato e a certeza de que surgirão, durante este período, muitos desafios. Como uma pessoa pública — detentora de um mandato de representação popular, não posso falar em desafios pessoais. Acredito que cada projeto que é votado no Congresso é um desafio. Porque nem sempre as reais intenções de um texto estão claras. Um voto pode decidir sobre a redução da maioridade penal ou não no País, por exemplo. Parece simples, mas a cada decisão que tomamos, estamos mudando a vida de milhões de pessoas. Então, o principal desafio é sempre fazer as escolhas corretas neste mundo escorregadio e nebuloso que é a política. Quero daqui a dez anos olhar para trás e ter a certeza de que fiz o bem para meu País. Agora, há alguns temas específicos que considero como conquistas pessoais, mas que são públicas. Por exemplo, conseguir uma total integração das pessoas com deficiência na sociedade, ajudar a melhorar o atendimento das pessoas com doenças raras, crônicas e graves na rede pública de saúde.

Qual foi o maior desafio que você teve que enfrentar no último ano?

Com certeza a eleição para o Senado Federal.

Quem tem sido a sua inspiração, o seu modelo, na vida adulta?

Meu pai e minha mãe sempre foram as pessoas que me inspiraram. Meu pai faleceu há dez anos, minha mãe é viva e cheia de saúde. Eles me passaram os melhores exemplos de integridade e valores. A Ivy, minha filha com síndrome de Down, é uma grande inspiração também; foi por causa dela que entrei na política.

Qual a notícia que você gostaria que a imprensa fizesse uma cobertura melhor?

Acho que a cobertura política é muito pobre. Eles [jornalistas] enveredam muito para o viés de fofoca. Muitas vezes a pauta legislativa de projetos importantes para o País é deixada de lado. Poucos jornalistas sabem acompanhar o trabalho legislativo. Vejo alguns veículos darem grande espaço para figuras polêmicas, com ideias absurdas, enquanto bons parlamentares e boas ideias não têm espaço no jornal.

Qual pessoa viva você mais admira?

Minha mãe. O papa Francisco, uma pessoa muito coerente, um bom ser humano, acima da religião, uma figura leve. O ex-secretário geral da ONU, Kofi Atta Annan, que para mim, desempenhou um ótimo trabalho nos dez anos em que ficou à frente da ONU e, não à toa, ganhou um Nobel da Paz. O ex-presidente do Uruguai, o [José "Pepe"] Mujica, ele tem dado um bom exemplo de desapego e simplicidade para os governantes.

Que conselho você daria para um jovem que está tentando decidir o que fazer da sua vida?

Não tenha limites para sonhar.

Ao que você é mais grato na vida?

A muitas coisas. À saúde que Papai do Céu me deu. Ao esporte, que me deu a oportunidade de mudar minha vida e a vida de muitas pessoas à minha volta. E ao reconhecimento das pessoas em relação ao que eu fiz e ao que eu faço.

Como você se informa?

Tem muitas formas. Internet, jornal, televisão, rádio. Sou ligado em tudo.

Qual a causa ou problema você está mais interessado em ver resolvida nos próximos dez anos?

Acho que estamos passando por um momento econômico muito ruim no País e espero que possamos passar por ele sem retroceder em direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. No mundo como um todo, espero que a desigualdade social extrema seja extinta e também que tenhamos tempos de paz, sem conflitos. Espero ainda ver resolvido o problema da dependência química e a cura de várias doenças que assolam a humanidade. Por fim, as questões do clima...

Qual é a primeira coisa que você faz quando acorda de manhã?

Abro o olho... (risos) Ultimamente tenho agradecido muito e pedido a Deus por um dia bom.

O que você faz para desestressar, relaxar, recarregar a bateria?

Jogo futevôlei, futebol, namoro, encontro meus amigos.

Termine a frase: Em 2025, eu vou…?

Vou estar com 59 anos, cheio de saúde, muito feliz e com a consciência tranquila de ter ajudado o meu país.

Qual tendência da atualidade você acha que olharemos para trás em dez anos em descrença?

A corrupção.

Quantas horas você dorme por noite? Quão importante tem sido dormir na sua vida?

Dos 18 aos 35, eu dormia muito pouco. Hoje eu tenho dormido muito e muito bem. Durante a semana, umas oito horas. Mas final de semana chego a dormir dez horas.

Ao que você mais dá valor na vida?

Amizade, gratidão e a lealdade.