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05/05/2015 10:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

PT defende marqueteiro João Santana suspeito de lavagem de dinheiro para pagar investimento na campanha de Haddad

Estadão Conteúdo/Alexandro Auler

A direção do PT saiu em defesa de seu marqueteiro, João Santana, alvo de inquérito da Polícia Federal.

Em nota, o PT afirma que repudia "com veemência" as acusações "infundadas e sem provas" e diz que elas foram respondidas de maneira "satisfatória" pela empresa de Santana, a Pólis Propaganda e Marketing.

Segundo a Folha de S.Paulo, a Polícia Federal investiga uma possível lavagem de dinheiro, na suspeita de que a empresa de João Santana teria recebido dinheiro do Partido dos Trabalhadores para pagar dívida de investimento do empresário na campanha de Fernando Haddad, em 2012.

Esse valor teria vindo mascarado como pagamento dos serviços prestados pela Pólis (empresa de João Santana) na campanha da eleição do presidente angolano, José Eduardo Santos. A investigação suspeita que o PT teria pago a dívida por meio empreiteiras brasileiras que atuam na Angola e usaram a campanha como pretexto.

O empresário transferiu U$ 16 milhões dos U$ 20 milhões que recebeu da campanha a presidência de José Eduardo Santos, em Angola, para a conta de sua empresa no Brasil. Os U$ 4 milhões de diferença (equivalente a 20% do valor total) foram destinados a pagamentos de carga tributária e burocracia do processo de remessa de dinheiro exterior para o Brasil.

Esse foi justamente o fator que levantou suspeitas da Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e, consequentemente, acionou as investigações. Isso porque operações dessa natureza são consideradas incomuns, justamente pelo alto custo e o dinheiro que é "perdido" na tramitação.

João Santana, por sua vez, diz que todas as operações foram legais e aconteceram sob a supervisão do Banco Central e do "compliance" do Bradesco. "Eu recebi dos meus clientes. Não pago meus clientes. Lamento que esteja no meio desse furacão, que pode me trazer, injustamente, graves prejuízos", afirmou o empresário à Folha de S.Paulo.

No site www.polispropaganda.com.br, Santana publicou os documentos de transição de ambas as campanhas (José Eduardo Santos e Fernando Haddad) e publicou o vídeo abaixo, reafirmando sua posição.

(Com informações Estadão Conteúdo)